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Vem pra rua - Trending Topic


Mais uma vez utilizaremos esse espaço pra falar de um assunto sério: as manifestações que tomaram o Brasil na última semana. O que presenciamos na última semana foi um fato histórico no Brasil: as pessoas usaram a internet como meio (e não fim) de agregar pessoas e SAÍRAM dela para protestar. Pessoas de todas as idades, classes sociais, ocupações e credos uniram-se por meio de eventos no Facebook, organizaram-se e fizeram uma das manifestações mais bonitas que o país já assistiu.



O início - Contra o aumento das tarifas

Tudo começou começou no início do mês quando, após a ocorrência de protestos menores em Porto Alegre e Goiânia, o Movimento Passe Livre (MPL) organizou a primeira manifestação na capital paulista em resposta ao reajuste dos preços das passagens dos ônibus municipais, do metrô e dos trens urbanos de R$ 3,00 para R$ 3,20 ocorrida no dia 2 de junho. 

MPL SP
Desde então, já ocorreram cinco atos (como os organizadores chamam as manifestações), sendo o do 17 de junho, o maior de todos.  Durante os protestos, foram registrados episódios de agressões e abusos por parte dos policiais militares, além de casos pontuais de vandalismo.

Na manhã de 7 de junho, um protesto foi realizado na Estrada do M'Boi Mirim, na Zona Sul de São Paulo, bloqueando uma das faixas no sentido Centro, que seguiu para a avenida Guarapiranga. Ali tiveram início, também, as tentativas de repressão da polícia. Ainda nos primeiros dias do mês, protestos também foram realizados pelo MPL em Pirituba, na Zona Oeste, e no Parque Dom Pedro II, no Centro. No 13 de junho, o protesto começou a tomar grandes proporções, pois mais de cinco mil pessoas se reuniram em pontos importantes da capital, como a Avenida Paulista, para se manifestar contra o aumento das passagens do transporte público municipal. Nesse dia, mais de duzentas pessoas foram presas e outras centenas vítimas de  agressões, tiros de balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio utilizados pelo Batalhão de Choque, causando comoção nacional.

Manifestantes de outras seis capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, Maceió, Porto Alegre e Goiânia, também começaram a realizar atos públicos pelos mesmos motivos dos atos de SP, tomando o aumento da passagem do transporte público como estopim para protestar contra o governo e outros problemas sociais.

Por Rhavi de Carvalho
No Rio de Janeiro, mais de duas mil pessoas se concentraram em ruas do centro da cidade. 

Em Goiânia, os protestos foram motivados por uma ação judicial do PROCON local para que o valor da passagem de ônibus (R$ 3) retornasse ao valor antigo (R$ 2,7). 

Em Porto Alegre, as manifestações conseguiram fazer com que o poder público recuasse no aumento das tarifas, com uma liminar do Ministério Público mantendo a passagem a R$2,85, sem aumento de R$0,20. 

Em Niterói, mais de duas mil pessoas protestaram pela diminuição do preço da passagem de ônibus durante o dia e entraram em confronto com a polícia à noite.

Em Brasília, cerca de 500 pessoas se reuniram na entrada do estádio Mané Garrincha, no dia do jogo de estréia da Copa das Confederações, para protestar contra o uso de verba pública para a realização Copa do Mundo de 2014. A polícia isolou o protesto e o BOPE fez um cordão de isolamento separando os manifestantes dos torcedores que chegavam para a partida. Durante confronto com os manifestantes, o Batalhão de Choque usou bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha. Segundo a Polícia Militar, oito policiais foram feridos por pedradas, e oito manifestantes foram detidos e encaminhados a um DP próximo ao estádio. Dois manifestantes foram atingidas por tiros de bala de borracha, e um chegou a ser encaminhado para um hospital.

Em Minas Gerais, o Tribunal de Justiça proibiu manifestações de qualquer tipo que interditassem as vias urbanas em todos os municípios do estado durante a Copa das Confederações. A princípio, a decisão valia apenas para o entorno do estádio Mineirão em diversos dias, três dos quais (17, 22 e 26 de junho) coincidem com a data de jogos da copa no estádio. Uma multa de R$ 500 mil foi fixada para os sindicatos, caso esses descumprissem a decisão, o que não impediu que 12 mil pessoas se reunissem na tarde do dia 17 de junho na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, e fechassem duas avenidas da cidade.


No dia 17 de junho, as manifestações se intensificaram em grandes cidades do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Vitória, Salvador, Curitiba, Fortaleza, Vila Velha, Bauru e outras importantes cidades uniram-se e levaram mais de 250 mil pessoas para as ruas para protestas contra a situação atual do país.

Bauru, por Jéssica Mobílio
Rio de Janeiro, por Fabio Motta/Estadão
São Paulo, por Tiago Queiroz/Estadão
Brasília, por Fabiano Costa/G1
Em São Paulo, onde reuniram-se mais de 65 mil pessoas, a manifestação foi pacífica. No entanto, no Rio de Janeiro, em Brasília e Belo Horizontes, as coisas saíram do controle e houve episódios de vandalismo.

A mídia e os protestos

Não foi nada surpreendente quando, de início, as mídias tradicionais assumiram uma postura contrária aos movimentos, dizendo que os manifestantes não passavam de vândalos e a movimentação era inútil, além de exaltar a ação policial. A situação só mudou quando, em meio aos protestos, jornalistas da grande mídia começaram a ser vítimas da repressão policial. Somente a Folha de São Paulo teve 15 de jornalistas feridos, sendo o mais grave dos casos o da repórtes Giuliana Vallone, atingida por um tiro de borracha em seu olho esquerdo. O repórter da Globo, Caco Barcellos, da equipe do programa Profissão Repórter, foi expulso com as pessoas gritando "a Globo é mentirosa" por um grupo de manifestantes que se concentravam no largo da Batata, zona oeste de São Paulo no dia 17 de junho. Depois do ocorrido, outros jornalistas da emissora passaram a usar microfones e equipamentos sem o logotipo da emissora.

No dia 17 de junho, os protesto finalmente atingiram a mídia internacional, ganhando destaque em veículos como o The New York TimesThe GuardianBBCEl PaísClarín,  Le Figaro e Le Monde.

Já na internet, a história foi bem diferente. Desde o início dos protestos, só multiplicaram-se o número de páginas voltadas à cobertura dos atos, seja por meio de tweets, fotos ou vídeos. As redes sociais mostraram sua força ao exibir ao restante de população aquilo que a TV e os grandes jornais evitavam mostrar: as agressões sofridas pelos manifestantes e os gritos de paz das multidões.

Além da cobertura em tempo real, a internet também fez sua parte através da divulgação de memes.










Sem esquecer, é claro, das invasões à sites e redes sociais de políticos, revistas, partidos e secretarias de governo.

Instagram da presidente Dilma
Site da Secretaria de Educação de São Paulo
Twitter da Revista Veja
#protesto

Nas redes sociais também surgiram diversas hashtags relacionadas aos protestos, como #changebrasil, #VerásQueUmFilhoTeuNãoFogeALuta, #protestosp, #PrimaveraBrasileira, #OGiganteAcordou e #BrasilAcordou.

Para o próximo dia 20, está programado um ato nacional em apoio à SP. Várias cidades já tem manifestações programadas. Quer participar? Escolha a cidade mais próxima a você, faça seu cartaz e #vemprarua!


Acompanhe as manifestações:

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Orkut - Nostalgia Web

Estreia um novo quadro aqui no Comando Login: o Nostalgia Web! Nesse novo espaço, montaremos a história de alguns dos sites mais conhecidos desse maravilhoso mundo chamado internet. E para começar com o pé direito, o primeiro escolhido foi o saudoso orkut (com minúsculas mesmo, pois apesar de Orkut ser um nome próprio, na programação visual do site a palavra está em minúscula).

O início


A rede social foi criada em 24 de Janeiro de 2004 tendo como objetivo ajudar seus membros a conhecer pessoas e manter relacionamentos. O nome escolhido para batizar a rede é uma homenagem ao seu projetista chefe, o engenheiro turco Orkut Büyükkökten. 

Inicialmente, o alvo do orkut era os Estados Unidos, mas a maior parte de seus usuários são brasileiros (30 milhões) e indianos (20 milhões). Tanto no Brasil, como na Índia, a rede social do Google é superada pelo Facebook. 

A sede do orkut ficava localizada na Califórnia até agosto de 2008, quando o Google anunciou que ela seria transferida para o Brasil pelo Google Brasil devido ao grande numero de usuários ativos no país. 

Evolução 


- 22 de Janeiro de 2004: É lançado o orkut, trazendo essas carinhas simpáticas acompanhadas da pergunta “Quem você conhece?” em sua página de login.




Já naquele ano, o perfil dividia-se entre social, profissional e pessoal. 

- Abril-Julho de 2005: O orkut ganha versões em onze novas línguas: português, francês, italiano, alemão, castelhano, japonês, coreano, neerlandês, russo e chinês (tradicional e simplificado). 

- Setembro de 2005: O orkut é integrado ao sistema Google Accounts.

- 21 de Abril de 2006: é criado um mecanismo mais amado/odiado da rede social: aquele que permite visualizar os visitantes recentes de seu perfil. 

-  6 de Junho de 2006: O orkut atinge a marca de 20 milhões de usuários. 

- 18 de Outubro de 2006: O orkut chega a 30 milhões de usuários. 

- 28 de Dezembro e parte de 29 de Dezembro de 2006: O orkut fica fora do ar por mais de 24 horas. Ao tentar acessar o site, os usuários se deparavam com uma mensagem informando que ele estava em construção. 


- 1 de Fevereiro de 2007: é criado um mecanismo que permite aos usuários adicionar vídeos ao seu perfil. 

- 5 de Abril de 2007: São criados os tópicos no fórum das comunidades. 

- 9 de Abril de 2007: O orkut chega a 50 milhões de usuários. 

- 3 de Maio de 2007: É lançada a nova visualização de imagens dos álbuns, que permite que o usuário veja outra foto sem retornar à página com as imagens reduzidas. 

- 30 de Junho de 2007: O orkut chega a 60 milhões de usuários. 

- 5 de julho de 2007: O orkut divulga seu blog oficial, escrito pelo próprio Orkut Büyükkökten. Apesar do lançamento, a primeira postagem no blog data somente de 25 de junho de 2007. 

- 1 de abril de 2008: O orkut altera temporariamente seu logotipo em consequência do Dia da mentira. A marca traz a palavra "yogurt", um jogo de letras com o nome da rede. 


- 7 de agosto de 2008: O Google anuncia que o Google Brasil passa a ter o controle mundial do orkut, dividindo a responsabilidade com os indianos. 

- 29 de outubro de 2009: é lançado o "novo orkut". Durante a coletiva lançamento, foram apresentadas algumas novidades como o feed de notícias, um agrupamento de recados, atualizações do perfil e adição de amigos, tudo na página inicial. Também foi apresentado na coletiva, que seria retomado o antigo sistema de convites, como no começo do site. 


- 17 de maio de 2011: Orkut ganha um novo logotipo após 7 anos de existência. O site também passa por uma leve reformulação estética. 

Sucessos (ou não) do orkut 

Fakes: como é comum às redes sociais, no orkut popularizou-se a criação de perfis fake. Esses perfis geralmente se passam por pessoas famosas ou personagens de filmes ou desenhos, o que deixa claro que eles são falsos. Não há nenhum tipo de regra ou lei que proíba esse tipo de perfil. No entanto, quando o perfil tenta passar-se por outra pessoa, seja ela viva ou morta, isso pode se enquadrar como falsidade ideológica. '


Bate-papo: o orkut, assim como Facebook, tem seu próprio chat. A ferramenta aparece no pé da página, permitindo aos usuários que navegue e conversem on-line ao mesmo tempo.



Aplicativos: já em 2008 o orkut contava com mais de 600 aplicativos possíveis de serem associados aos perfis, sendo alguns dos mais utilizados o BuddyPoke e a Colheita Feliz. 




Comunidades

As comunidades eram o grande trunfo do orkut: nelas seus usuários se agrupavam de acordo com  suas preferências e gostos. Também havia as comunidades de humor, que fizeram muito sucesso na rede ao compartilhar trocadilhos e piadas em seus títulos, descrições e tópicos.



Privacidade 


No orkut é possível controlar os níveis de privacidade de suas publicações, escolhendo que poderia ou não vê-las. O ato de bisbilhotar a vida de estranhos era dificultado pela ferramenta que permitia ver os visitantes recentes dos perfis. 



Falhas de segurança 


O orkut viveu muitas crises de seguranças, tendo se tornado um paraíso para a proliferação de vírus e worms. Através de links falsos, os hackers conseguiam acesso às contas dos usuários descuidados. Os arquivos virais instalavam-se e podiam desde mandar recados e depoimentos em massa, até conseguir acesso à todas as senhas do computador. 


O orkut e os crimes


Brasil: no país, após a popularização do Facebook, o orkut acabou tornando-se uma terra sem leis, onde os usuários compartilhavam os mais diversos tipos de arquivos, incluindo músicas, filmes e seriados. Em 16 de março de 2009, a comunidade “Discografias”, a maior do Orkut para troca de músicas, com mais de 900 mil usuários registrados, foi desativada. Na comunidade, os usuários compartilhavam links para álbuns musicais inteiros, sem qualquer pagamento, o que gerou uma série de ameaças judiciais por parte de associações de defesa de direitos autorais. 


Mas a pirataria não era o único tipo de crime praticado na rede. Em 2006. a justiça do Brasil denunciou um estudante de 20 anos acusado de racismo contra pessoas com descendência africana, e espalhar textos difamatórios no orkut. Também houve no orkut uma onda pessoas divulgando fotos de menores de 14 anos, configurando casos de pedofilia. 

Emirados Árabes Unidos: em 2006, o país seguiu o exemplo do Irã e bloquearam o site. Posteriormente no mesmo ano, esse bloqueio foi removido. Após críticas da imprensa, em 4 de julho de 2007 o site foi novamente banido, proibição que continua em vigor. A Árabia Saudita também bloqueou o site.

Dentre polêmicas, comunidades cheias de humor e muitos tópicos livres (e os joguinhos de comunidade), o orkut foi o rei da internet brasileira durante muito tempo, tendo perdido a majestade para o Facebook nos tempos mais recentes. Deu saudade? Corre de volta para lá, que o orkut ainda existe.

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Spotted - Trending Topic



No maior estilo @pedreiro_online, surgiu nas últimas semanas uma nova febre entre os usuários do Facebook, principalmente no meio universitário: as páginas Spotted. Essas páginas, que já são um sucesso há algum tempo fora do Brasil, tem um conceito bem simples: “viu alguém interessante e não teve coragem de puxar assunto? Mande para a gente o recado ou a situação que tudo entra na página com anonimato.” As cantadas anônimas, enviadas via inbox para a página, passam por um moderador, que seleciona as mensagens recebidas e as publica. Somente o moderador sabe a identidade do “remetente” do recadinho de amor (ou pura zoeira). Depois de tornadas públicas, quem cuida de fazer a indireta (que às vezes é bem direta) até o “destinatário” são os próprios usuários.


A PUC-Rio foi a primeira universidade brasileira a ter seu próprio 'spotted' e o sucesso foi praticamente instantâneo. A página já reúne mais de 12 mil membros, estudantes ou não da instituição, em pouco mais de um mês no ar. A criadora da página foi uma estudante de Comunicação Social, que vive atualmente na Alemanha e se inspirou no sucesso que esse tipo de página faz entre os universitários de lá.

A visibilidade alcançada pela página da PUC-Rio inspirou vários universitários a criarem o serviço de “cupido virtual” para seus próprios campi. A página da UNESP Bauru, foi criada após a fundadora (que preferiu não revelar nome ou curso) ler uma matéria sobre o fenômeno, e notar que não havia nada semelhante em seu campus. Fundada no dia 16 de abril, a página conta com 1.662, o que não corresponde às expectativas da criadora da página. “Na verdade, eu esperava que alcançássemos um número maior em menos tempo, tendo em vista as páginas Spotted das outras Unesp. Como nosso campus é o maior, pensei que chegaríamos a 2 mil likes em uma semana, mas estamos num ritmo um pouco mais lento. Por exemplo, o Spotted UFSCar chegou a dois mil fãs em apenas dois dias, hoje eles tem quase quatro mil likes.” Já o número de cantadas recebidas por dia não decepciona e há todo um planejamento na hora das postagens. “Nós recebemos, em média, 50 mensagens por dia. Então agendamos uma cantada a cada 10 minutos para não floodar tanto a timeline das pessoas.”.


A magia que envolve o serviço reside no anonimato que causa a desconfiança de muitos. Há relatos de pessoas que criam perfis fake por medo de serem identificadas pelos próprios moderadores. Mas existem também os caras de pau, que enviam xavecos para si mesmo e ainda comentam na publicação que enviou se fazendo de desentendido. Outro tipo de leitor da página é o curioso. “Já recebemos várias mensagens de pessoas querendo saber quem enviou as cantadas, mas explicamos que não podemos falar quem mandou. Teve alguns casos em que mandaram a cantada e disseram que se a pessoa viesse nos perguntar, a gente podia passar o contato. Mas só nesses casos em que tem uma autorização prévia, que passamos o contato, do contrário, é anonimato garantido” afirma a moderação do Spotted UNESP Bauru. Seja como for, a graça fica mesmo na reação da pessoa ao receber sua própria cantada.

Como todo Trending Topic, o sucesso desse tipo de página deve ter vida curta. Entretanto, isso não desestimula seus criadores. “Nós sabemos que o Spotted é apenas uma febre e, como todo viral, semana que vem não terá tanta visibilidade e receberemos cada vez menos cantadas. Vamos apenas aproveitar a vida curta da página!”

Tá esperando o que? Vai lá conferir se não recebeu nenhum recadinho sedutor!

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Feliciano Não Me Representa - Trending Topic


Se você estava na Terra nos últimos dias, com certeza ouviu alguma coisa sobre a duvidosa eleição do pastor Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O parlamentar que é famoso pelos comentários racistas e homofóbicos, além das sobrancelhas bem desenhadas e do cabelo cheio de gel, não foi bem aceito pelos grupos que deveria representar, as minorias. Por todo o Brasil foram organizadas passeatas e outros movimentos favoráveis à renúncia/exoneração de Feliciano.


No meio deste cenário, a galera da internet também resolveu se mobilizar. Foi assim que surgiu a campanha "Feliciano não me representa", com pessoas postando fotos e frases que envolvem o título do protesto. A proposta é que as pessoas mostrem o rosto e digam o quanto não se sentem representadas por aquele que deveria defende-los. Entretanto, em meio as fotos mais sérias, também surgiram versões bem-humoradas do protesto, e a o "Feliciano não me representa" virou um meme em questão de poucos dias. 

Há várias páginas relacionadas à campanha, tendo a primeira delas surgido no dia 10 de março. No total, essas páginas totalizam aproximadamente 34 mil curtidas. A descrição da página original diz o seguinte:
No dia 07 de março de 2013, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que é conhecido por declarações homofóbicas, racistas e contra religiões de matrizes africanas, foi eleito como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Como resposta a essa eleição, milhares de pessoas foram às ruas no dia 09 de março de 2013 protestar em diversas cidades do Brasil. Mas as manifestações não acabaram.

Uma parcela importante da população brasileira não concorda com a manutenção do deputado na presidência da Comissão de Direitos Humanos da câmara justamente pelo posicionamento que o deputado tem em relação a diversos grupos, digamos, humanos.

Se você também não concorda, mas não sabe como se manifestar, chegou a hora!

Inspirados no projeto #eusougay, criamos uma campanha virtual que tem como objetivo fazer com que nossas vozes sejam ouvidas.

E sua participação é fundamental. Basta enviar uma foto (sozinh@ ou em grupo) segurando um cartaz onde deve estar escrito “Sou (preencher com uma característica sua) e Feliciano não me representa”.

Vamos unir nossas vozes (e fotos) e fazer com que saibam de nossa insatisfação. Vamos fazer com que saibam de nossa indignação. Vamos fazer com que saibam de nosso poder!

Como participar:
1 – Tire uma fotografia com um cartaz dizendo “Sou (preencher com uma característica sua) e Feliciano não me representa”. Você pode usar o espaço vazio e preencher com toda a sua criatividade: característica física (baix@, magr@, estrábic@, saudável), característica política (marxista, militante, petista), ocupação/situação social (estudante, professor(a), desempregad@, artista), característica emocional (idealista, carinhos@, passional), posicionamento religioso (ateu/ateia, agnóstic@, católic@, evangélic@, umbandista, assembleian@), cor/raça (negro, índia), orientação sexual (homossexual, heterossexual, bissexual, assexual, pansexual), naturalidade (capixaba, amazonense, cuiaban@, nordestina), etc etc etc.
Vamos mostrar que somos muitos, diversos, plurais. E que os direitos humanos são nossos.
2 – Envie sua foto para o email felicianonaomerepresenta@gmail.com
Inicialmente as fotos serão publicadas no facebook com a finalidade de dar visibilidade à nossa insatisfação. Esperamos que você curta, compartilhe, indique e incentive amig@s a participar da campanha também.
Se você tem uma ideia para contribuir, entre em contato pelo email felicianonaomerepresenta@gmail.com
Ergamos nossas vozes (e nossa diversidade)
Desde a criação desta página, já foram compartilhadas mais de mil fotos de pessoas que aderiram à campanha, seja mostrando a própria cara ou usando um outro personagem para tal fim. Dá só uma olhada:



A questão é: o fato de a campanha ter virado um meme tira a seriedade da mesma? Em minha humilde opinião: não, não tira. O grande problema é saber os limites entre o engraçado/cômico que vá chamar atenção para o assunto e o humor desnecessário, o que até agora tem sido feito com sucesso.
As manifestações tem sido tão efetivas que a renúncia do parlamentar é tida como muito provável (e há quem estime que ocorra ainda nesta semana).

Depois de tanto pesquisar sobre o assunto, resolvi também aderir à causa:


A galera equipe do Comando Login & amigos também aderiram:
Pedro Zambon, o Lennon.

Wagner Alves, o Shakira.
Sofia Rodrigues, leitora do Comando Login

Tainá Goulart, do The Fashion T's.




E você, acha que Marco Feliciano te representa?

Quer ter sua imagem compartilhada neste post? Envie a imagem para comandologin@gmail.com informando seu nome e se você quer linkar algum blog, twitter ou facebook.

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Julia Gabriele: Quando a internet se torna cruel demais


Julia Gabriele é uma criança. Tem 12 anos, gosta de Demi Lovato e ouvir música, estuda, brinca com seus amigos: uma criança normal e feliz. Mas como todos nesse mundo conectado, Julia tem um perfil virtual, apesar da limitação de idade do Facebook de no mínimo 13 anos - algo que não impede muito quem cria, já que raramente se fiscaliza esse tipo de coisa antes de alguma denúncia mais assídua. Mas a história sobre Julia e suas aventuras no mundo online não é feliz: ela nos ensina como a internet pode ser cruel e mostrar a face mais perversa do ser humano.

Piadas podem ir longe demais...
Tudo começou quando uma página de "humor" - como uma daquelas milhões que tem por aí - descobriu o perfil de Julia e passou a usar as suas fotos como um meme. Embalados em um sucesso repentino, várias outras páginas foram criadas, replicando os memes que passam dos milhares de compartilhamentos e curtidas. Sua sobrancelha passou a se tornar centro de várias piadas, e a agressividade delas ficava cada vez maior. Das páginas de humor, seu perfil real foi encontrado. A situação se torna mais grave. Em seu perfil, centenas de pessoas começam a postar fotos de instrumentos cortantes, pinças, aparelhos de barba. Ferida pela ação, ela chora e se torna mais uma vítima de uma sociedade que não perdoa "defeitos".



Julia Gabriele: "estou muito xatiada com tudo isso, todas as pessoas estão rindo de mim, pessoas da minha cidade, pessoas que conheço, aqui na internet, estou chorando o dia inteiro por causa de vcs queria ver se voces fossem gostar se estivessem no meu lugar"
Cabe dizer, antes de qualquer comentário, que não sou um adepto da onda do politicamente correto. Transformar o humor em água com açúcar e impedir o uso de arquétipos e esteriótipos (assim como os grandes e históricos humoristas sempre fizeram) é uma visão deturpada que não compartilho. Mas pegar uma criança de 12 anos entrando na adolescência e transformar a imagem dela em um humor baixo e agressivo é estupidez humana. Quando se destrói a auto-estima de um ser humano em fase de formação de personalidade para uma piada que além de tudo é ruim? Puro sadismo que expõe um dos lados mais perversos da internet. Mas a física já nos ensinou: toda ação tem uma reação.

Assim como o ataque, as manifestação de apoio se multiplicaram. Páginas surgiram, imagens foram criadas, mas ainda assim restava o argumento: "se você não queria ser zoada, porque não comprou uma pinça e acabou com seus problemas?" São respostas tristes que evidenciam problemas sociais bem mais profundos e seus paradigmas da ditadura da beleza. Afinal, porque uma criança de 12 anos precisa se preocupar em manter a sobrancelha aparada e o buço depilado? E se ela escolheu não fazer isso, deve ser motivo de críticas por ser criança e não querer se preocupar com a aparência "ideal" que esperam dela? Não ser da maneira com que os outros querem por saber "que a internet tem dessas coisas e zoa todo mundo mesmo" e usar isso de desculpa para a violência? São questionamentos que surgem e revoltam, mas que evidenciam algumas coisas da própria personalidade e essência das pessoas.

Falar mal dos outros é um mecanismo para se sentir valorizado. É uma expressão do ego humano. Comparando alguém como inferior cria-se uma falsa sensação de superioridade, um preenchimento de uma lacuna de baixa auto-estima, muitas vezes criada justamente por atitudes agressivas como essas. É um ciclo de pessoas que buscam validação exterior baseada na violência, gerando cada vez mais violência. Uma atitude que revela mais sobre agressor do que sobre o agredido.



Mas é possível lutar contra esse ciclo, para além de filosofias e #revolts. Você pode fazer algo por ela e outras Julias por aí com ferramentas que o próprio Facebook nos oferece.

Combatendo o cyberbullying no Facebook

Apesar de ser bem permissivo, apesar das regras, quando se trata de menores de idade no Facebook, é frequente que a rede social apague ou puna usuários por publicação de fotos inadequadas após muitas denúncias. E é assim que se faz para impedir que a prática se perpetue.


Segundo o Facebook, é possível denunciar qualquer ato que vá contra os Padrões da Comunidade entre ele, temos o tema:

Bullying e assédio

O Facebook não tolera bullying ou assédio. Permitimos que os usuários falem livremente sobre assuntos e pessoas de interesse público, mas tomamos medidas em relação a todas as denúncias sobre comportamento abusivo direcionado a pessoas em particular. Solicitações de amizade ou mensagens indesejadas enviadas repetidamente a outros usuários é uma forma de assédio








Então, se você pode fazer algo para demonstrar sua revolta, a denúncia é a melhor ferramenta. Vamos esperar que o pessoal do Facebook aja rápido e que o pesadelo de Julia possa acabar o quanto antes.

Por Pedro Santoro Zambon


ATUALIZAÇÃO

A repercussão do fato gerou efeito. Pouco mais de 24h depois da publicação das imagens as páginas responsáveis ficaram fora do ar. Outras foram criadas, mas logo são denunciadas e retiradas. O lado bom da internet está triunfando, felizmente... Obrigado a todos que fizeram parte dessa campanha e denunciaram o conteúdo. Vamos esperar que esse tipo de ato não se repita e que Julia supere esse episódio.