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Company of Heroes: O Filme - Pizza





Adaptações de videogames para o cinema geralmente são algo, em sua essência, muito errados – e, se formos pensar bem, o caminho inverso não é assim tão diferente. Várias tentativas foram propostas, desde jogos de tiro como Doom, terror como Silent Hill e luta como Street Fighter, o perfil de jogo que vira filme parece ser sempre o mesmo: algum clássico cheio de ação que pode fazer sucesso, senão pela qualidade, pelo nome que leva no título. Mas uma coisa que nenhum gamer que se presta poderia achar provável seria um filme baseado em alguma franquia obscura de estratégia.

Disse bem, poderia.

Viu qualquer semelhança com um RTS? Pois é, nem eu.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que resolveram fazer justamente isso: um filme licenciado de um jogo RTS “lado B”. E nem estou falando de nenhum jogo de fantasia, tipo Might & Magic, que faria sentido comprar a licença da história. Estou falando é de um filme de uma das franquias da falida THQ, Company of Heroes.

Mas daí você me pergunta: “mas Company of Heroes é sobre a Segunda Guerra. Porque comprar a licença do jogo pra produzir um filme de Segunda Guerra.” É, então. Eu também não faço a menor ideia de como responder essa pergunta. Mas uma mistura de um gênero que eu adoro – filmes de guerra – com um que eu não suporto – jogos RTS – só poderiam dar uma boa mistura, só que não.

E, como era de se esperar, não ficou bom mesmo.

Company of Heroes (em português, Company of Heroes – O Filme, para não perder tempo em tentar esconder que não se trata de apenas uma coincidência) foi lançado direto para DVD em 26 de fevereiro de 2013 – ou seja, hoje – é uma obra do “aclamado” diretor Don Michael Paul que, entre seus principais trabalhos no cinema, estão um papel como coadjuvante sem falas em A Ilha e a coprodução do clássico do gênero “porque foi mesmo que vocês fizeram esse filme?” Harley Davidson e Marlboro Man – Caçada Sem Tréguas. Só pelo curriculum do camarada já dá pra ver que podíamos esperar MUITO dele como diretor. Aliás, talvez esse histórico seja o que explica terem gasto uma parte do orçamento para comprar a licença sobre o nome do jogo: por que simplesmente fazer um filme de guerra ruim, se posso fazer um filme de guerra ruim baseado num videogame e jogar toda a culpa no videogame, falando que ele que não me dá base de história para um bom filme e que me vi obrigado a podar minha visão para satisfazer os jogadores? É a única explicação que eu tenho: uma desculpa brilhante que joga toda a culpa numa mídia que ainda sofre de preconceito e esconde a falta de talento do produtor.

Dois velhos e um novato contra todo o exército alemão? Molezinha!
Mas, como se poderia esperar, o filme não tem nada de mais, nem como filme de guerra, nem como adaptação de videogame. Aliás, talvez a única coisa que lembre videogames em todo ele seja o fato de os inimigos serem praticamente inúteis em combate, além da história rasa e clichê. O plot principal (e, sim, vou dar spoilers. E antes que venham reclamar: é uma adaptação de videogame dessas mais básicas e que não tem nada a ver. Tem certeza que vai fazer tanta diferença assim ter spoiler?) consiste de um pequeno grupo de soldados americanos no fim da guerra – já após o fatídico Dia D e num momento que os Aliados já avançavam quase sem problemas, tomando território atrás de território e já dando a Guerra por vencida –  que estão desempenhando uma missão extremamente simples de levar suplementos de uma base a outra através de terreno em que já não havia mais inimigos. Molezinha certo? Só que eles são atacados (quem podia esperar por essa, não é mesmo?) e, durante a fuga, acabam esbarrando – diria até mesmo que tropeçando – nos planos de uma arma ultra-secreta do governo alemão, que poderia mudar os rumos da guerra. Voltar correndo pra base e pedir reforços? Pra que, se um plano muito mais sensato é invadir o maior, mais secreto e mais protegido laboratório inimigo, com cerca de 5 homens, e salvar o mundo eles mesmos?

A história tem tudo que um horrível drama de guerra precisa: um herói jovem que sobe de recruta pra chefe fodão em poucas cenas, um bando de subordinados em fim de carreira, uma mocinha que aparece do nada no meio do filme e já vira peça importante da trama, um aliado duvidoso que é encontrado no meio da ação e um cientista maluco arrependido. Soma-se a isso um vilão que é um general alemão sádico totalmente copiado do personagem de Christopher Waltz em Bastardos Inglórios que você tem a receita de tudo aquilo que se pode esperar de Company of Heroes, ou seja, quase nada.

Sammael e sua versão "Escola de Atores Sylvester Stallone" de Hans Landa


Mas não podemos desconsiderar tudo do filme, já que há, ao menos, umaideia legal em sua trama: ao revelar que a grande arma secreta alemã seria uma bomba atômica, o filme brinca com um famoso boato (já que até hoje ninguém comprovou se essa história é mesmo verdade, e, se for, duvido que irão algum dia) de que, apesar dos esforços americanos e russos, quem primeiro aperfeiçoou a bomba atômica foram os alemães, e por isso que a primeira delas só foi usada em 1945, já que necessitou-se que os cientistas que conseguiram fazê-la funcionar no Reich fossem capturados e levados para os laboratórios americanos, para que pudessem passar para frente seus conhecimentos. Outro ponto positivo é o castde atores, que traz alguns nomes interessantes, como Richard Sammael, que ficou conhecido pelo papel do oficial que morre a pauladas de um taco de beisebol em Bastardos Inglórios, e Vinnie Jones, o ex-jogador de futebol que foi o famigerado Juggernaut – ou Fanático – em X-Men 3: O Confronto Final. Sammael, aliás, faz o vilão que imita – um tanto caricatamente ou, apenas, bem mal – o coronel Landa de Bastardos Inglórios, o que nos faz entender porque ele apanhou tanto no filme de Tarantino, e desejar que alguém de dois metros de altura apareça logo para matar aquele arremedo de vilão sádico que não bota medo nem no meu cachorro.

Juggernaut, é você meu velho?!
No geral, se considerarmos que é uma adaptação de videogame – e elas são conhecidas por terem criado um parâmetro de comparação cinematográfica tão baixo que dá até pena – Company of Heroes é bem divertido e, ainda que não deva ser nem de longe a sua primeira opção caso esteja com vontade de assistir algum filme de guerra, consegue divertir e prender o telespectador até o final sem fazê-lo querer vomitar – o que já é um ótimo elogio para o gênero. Recomendável para um sábado à tarde preguiçoso, quando a única outra opção for assistir o Caldeirão do Huck.

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Disk Pizza ep 1 - And the Oscar goes to...




Nesse domingo, dia 24, acontece o Oscar, o tão prestigiada premiação do cinema de Hollywood. Para explicar como funciona o Oscar, o que é a misteriosa Academia e comentar as principais categorias dessa que é a 85ª edição do Academy Awards, sai do forno o primeiro Disk Pizza, seu delivery do que há de mais saboroso no mundo da cultura pop. Quem são os favoritos? Quem foi injustiçado? Cadê "O hobbit"? Aperte o play, pegue um pedaço e divirta-se!

Nessa edição contamos com a participação especial de Felipe de Oliveira Mateus (Pinguim), Tainá Goulart (Tãina) e Vitor Moura (Cicatriz), além dos loginers Luís Morais (Bóvis), Monique Nascimento (Lina) e Pedro Zambon (Lennon). A lista completa de indicados e os trailers dos concorrentes ao prêmio de Melhor Filme você confere aí embaixo.


Filme
"Indomável sonhadora" - trailer
"O lado bom da vida" - trailer
"A hora mais escura" - trailer
"Lincoln" - trailer 
"Os Miseráveis" - trailer
"As aventuras de Pi" - trailer
"Amor" - trailer
"Django livre" - trailer
"Argo" - trailer

Diretor
Michael Haneke ("Amor")
Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
Ang Lee ("As aventuras de Pi")
Steven Spielberg ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida)

Ator
Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Denzel Washington ("Voo")
Hugh Jackman ("Os miseráveis")
Bradley Cooper ("O lado bom da vida")
Joaquin Phoenix ("O mestre")

Atriz
Naomi Watts ("O impossível")
Jessica Chastain ("A hora mais escura")
Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")
Emmanuelle Riva ("Amor")
Quvenzhané Wallis ("Indomável sonhadora")

Ator coadjuvante
Christoph Waltz ("Django livre")
Philip Seymour-Hoffman ("O mestre")
Robert De Niro ("O lado bom da vida")
Tommy Lee Jones ("Lincoln")
Alan Arkin ("Argo")

Atriz coadjuvante
Sally Field ("Lincoln")
Anne Hathaway ("Os miseráveis")
Jacki Weaver ("O lado bom da vida")
Helen Hunt ("The sessions")
Amy Adams ("O mestre")

Filme estrangeiro
"Amor" (Áustria)
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"O amante da rainha" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)

Roteiro original
Michael Haneke ("Amor")
Quentin Tarantino ("Django livre")
John Gatins ("Voo")
Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise kingdom")
Mark Boal ("A hora mais escura")

Roteiro adaptado
Chris Terrio ("Argo")
Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
David Magee ("As aventuras de Pi")
Tony Kushner ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida")

Animação
"Valente"
"Frankenweenie"
"ParaNorman"
"Piratas pirados!"
"Detona Ralph"

Documentário em longa-metragem
"5 broken cameras"
"The gatekeepers"
"How to survive a plague"
"The invisible war"
"Searching for a sugar man"

Documentário em curta-metragem
"Inocente"
"Kings point"
"Mondays at Racine"
"Open heart"
"Redemption"

Fotografia
"Anna Karenina"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Edição
"Argo"
"A vida de Pi"
"Lincoln"
"A hora mais escura"
"O lado bom da vida"

Trilha sonora original
Dario Marianelli ("Anna Karenina")
Alexandre Desplat ("Argo")
Mychael Danna ("As aventuras de Pi")
John Williams ("Lincoln")
Thomas Newman ("007 – Operação Skyfall")

Canção original
"Before my time", de "Chasing ice" – J. Ralph (música e letra)
"Everybody needs a best friend", de "Ted" – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)
"Pi's lullaby", de "As aventuras de Pi" – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" – Adele (música e letra)
"Suddenly", de "Os miseráveis" – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Efeitos visuais
"O hobbit: Uma jornada inesperada"
"As aventuras de Pi"
"Os vingadores"
"Prometheus"
"Branca de Neve e o caçador"

Edição de som
"Argo"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"A hora mais escura"
"007 – Operação Skyfall"

Mixagem de som
"Argo"
"Os miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Melhor curta-metragem
"Asad"
"Buzkashi boys"
"Curfew"
"Death of a shadow (doos van een schaduw)"
"Henry"

Curta-metragem de animação
"Adam and dog"
"Fresh guacamole"
"Head over heels"
"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"
"Paperman"

Figurino
"Anna Karenina"
"Os miseráveis"
"Lincoln"
"Espelho, espelho meu"
"Branca de Neve e o caçador"

Design de produção
"Anna Karenina"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"
"Os miseráveis"
"A vida de Pi"
"Lincoln"

Maquiagem e cabelo
"Hitchcock"
"Os miseráveis"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"

Para comentários, elogios, críticas e para pedir sua pizza:

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Robin Hood - Prince of Thieves (NES) - Game Trashback



Adaptações de filmes para games são normalmente contraditórias. É claro que devem ser levadas em conta as dificuldades e desafios envolvidos no transporte da linguagem cinematográfica para a interativa, algo que pode ser comparado ao caso de filmes baseados em livros e mesmo games baseados em livros (ou ainda os infames filmes baseados em jogos, dificilmente melhores que lixo). A experiência é alterada, muitas vezes de maneira profunda, e o enredo é modificado consideravelmente. Em outras palavras, a essência do produto final é totalmente diferente daquela do original. 
Exemplos de adaptações bem-sucedidas são raros, sendo muito mais fácil listar os fracassos e os resultados não muito satisfatórios (o que renderia uma série de postindividuais, no mínimo). No Game Trashback de hoje conversaremos sobre uma adaptação de fidelidade duvidosa: Robin Hood - Prince of Thieves, um jogo de 1991 da Sculptured Software/Virgin Games para o NES, baseado no filme de mesmos nome e anoque contou com Kevin Costner no papel do famoso ladrão e que ainda tinha nomes como Christian Slater e Morgan Freeman no cast.  

"Então ele rouba dos ricos?" 


os diferentes modos de jogo
Começando pelo lado positivo, o game tem muitas qualidades. Um RPG de ação nos moldes de Zelda, Robin Hood introduz e experimenta alguns conceitos bem interessantes. Existem quatro modos diferentes de jogo: o principal envolve uma visão isométrica para o controle do personagem nos ambientes; outro começa nas lutas e aumenta o campo de visão para englobar todos os envolvidos na porrada; os duelos de espada são um modo à parte, com visão lateral ao estilo de jogos de luta; escapando de emboscadas ou viajando, Robin entra num modo de perseguição com cavalos, que inclui alguns obstáculos em alta velocidade. Ainda há uma bela e completa tela de status dos personagens, permitindo troca de equipamentos e uso de itens, além de visão geral do grupo. 
A mecânica não foge muito da esperada para RPGs de ação, com muitas conversas, exploração, missões e progressão com níveis de experiência. O mundo é surpreendentemente grande para um jogo do começo dos anos 90, oferecendo um tempo considerável de gameplay. Robin ainda vai encontrando aliados que integram seu grupo no decorrer da saga. 
As animações são ótimas, com uso interessante de sombras e perspectiva. Mesmo a trilha sonora merece destaque, com boas músicas que entram na cabeça e fazem você ficar horas cantarolando. Os efeitos sonoros também não deixam a desejar, gerando uma atmosfera imersiva. 

O lado ruim 

"santo Deus, um esqueleto gigante!"
O defeito mais gritante está na ausência da possibilidade de salvar o jogo. Como dito anteriormente, a experiência é longa (aproximadamente 90 minutos), e deve ser terminada em uma sentada. Três continues são oferecidos, mas isso não diminui o tamanho da falha. 
O segundo problema está na manutenção do enredo. Toda adaptação requer manipulações da trama, mas no jogo em questão isso acontece de maneira exagerada. A história do filme não foge muito da lenda de Robin Hood, o arqueiro errante que "rouba dos ricos e dá aos pobres" e que luta contra a tirania do xerife de Nottingham, na Inglaterra, encontrando amigos e conflitos no caminho. Pois bem, boa parte do jogo deveria seguir essa premissa, certo? Muito errado. Não estranhe se, no meio de sua saga, enfrentar um demônio esqueleto gigante (!!!), guardião de uma masmorra. Ou ainda lobos famintos e javalis que explodem quando atacados, jogando ossos para todos os lados (!!!!!). Fica bem evidente que os produtores do jogo usaram algumas "licenças poéticas" no trato da história, que chega a beirar o absurdo em alguns momentos. 
Surge então outra problemática importante: o sistema de menus do jogo. Em um RPG, você espera menus completos para cobrir um vasto leque de ações e decisões. Em Prince of Thieves, você vai se perder em um verdadeiro labirinto de janelinhas para realizar a operação mais simples. Você mata um inimigo desafiador, que carrega consigo um item essencial para a sua jornada, e tem que caminhar até sua carcaça, abrir o menu, escolher "procurar", ler a mensagem "Robin achou um item!", escolher "pegar", ler "Robin pegou o item!" e sair do menu. Ufa, não é pra qualquer um. 
o Kevin Costner do jogo parece mais um boneco de cera
Por fim, os rostos "digitalizados" dos personagens. Imagina-se que deveriam ser semelhantes aos dos personagens do filme, certo? É óbvio que entendemos as limitações gráficas de um sistema 8 bits como o NES, mas a ilustração aqui ao lado não me deixa mentir. O que diabos aconteceu com Kevin Costner?!  


"Mas é mesmo um lixo?" 

Depois de ponderar os prós e os contras, é possível concluir que Robin Hood - Prince of Thieves não é um produto totalmente descartável, mas longe disso.  O game apresenta algumas das primeiras tentativas de certos recursos no gênero RPG de ação, com os diferentes modos de jogo implementando o gameplay de maneira inusitada e agradável. Por outro lado, os problemas e falhas do jogo afetam consideravelmente o resultado final, prejudicando um melhor aproveitamento. 
Colocando um pouco de minha opinião pessoal, posso dizer seguramente que Prince of Thieves foi o primeiro jogo com uma verdadeira sensação de épico que joguei na vida. Lembro perfeitamente da grande dificuldade de algumas partes e da grata satisfação ao chegar nos créditos finais. Indico pra todos que ainda não experimentaram. Pode ser uma grande oportunidade de notar que os RPGs de ação não pularam direto de Zelda para Diablo e Torchlight. 




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Apocalipse: filmes pra matar o tédio enquanto se espera o juízo final


 Quer dizer que o Apocalipse tá chegando e você aí, já trancado em seu bunker, com um estoque gigantesco de feijão, couve e Coca quente, com mais nada pra fazer além de ficar entediado até o dia 21? Não se desespere! Nada como um bom filme para se divertir, não é mesmo? E quer passatempo melhor do que espantar o tédio da espera pelo Apocalipse assistindo filmes SOBRE o Apocalipse? OK, tem muita coisa melhor do que ficar vendo filme sobre o Apocalipse, mas se você já tá escondido em um bunker podemos descartar todas aquelas atividades que envolvam uma mulher ou qualquer outra forma de contato humano para serem realizadas. E é pensando nisso que eu dei um calote no dono do bar vim aqui para dar algumas boas dicas sobre bons filmes sobre o Apocalipse; quer dizer, bom é um pouco extremo né? Já que filmes sobre o Apocalipse já tem aquela taxa de “ruim” carimbados desde o momento de sua produção – e é por isso que eu ADORO eles. Então, algumas dicas dos melhores entre os piores filmes sobre o Apocalipse que você pode encontrar por aí.


Exterminador do Futuro: A Salvação



Primeiro vieram os humanos. Eles eram preguiçosos. E bêbados. Então, resolveram criar um monte de máquinas pra trabalhar por eles enquanto passavam o dia num pub. Até que um dia essas máquinas perceberam que eram mais fortes, inteligentes e que já não precisavam mais que um mecânico bêbado trocasse o óleo delas. E aí fodeu tudo.
Exterminador do Futuro: A Salvação é o quarto filme da franquia O Exterminador do Futuro, que se iniciou em 1984. Depois de quase 20 anos de blablabla, finalmente somos jogados num mundo dominado pelas máquinas e onde os humanos não valem pra muita coisa além de alvo pra estande de tiro, mas eles são alvos móveis e que estão acostumados a reclamar do governo, e, pra variar, estão montando uma rebelião para derrubar as máquinas – ainda que delas seja o governo com menos burocracia que se possa imaginar. O líder dessa rebelião é John Connor (interpretado por Christian Bale e, não, não há nenhum parentesco com o personagem de Assassin's Creed 3) e que, junto de seu melhor amigo e que também é seu pai. Porra Marty McFly! Você tinha que criar moda né? e uma cientista gatinha coordenam as ações da rebelião que tem por objetivo destruir a Skynet e desligar as máquinas. E isso é o pretexto para duas horas ininterruptas de tiros, explosões e diálogos clichês que, apesar de não ser nada inovador – mesmo dentro da própria série – ainda diverte e oferece um bom pretexto pra comer pipoca. 

2012



Quer nome mais clicê pra um filme sobre o Apocalipse? Pois clichê é o que melhor define 2012. O plot do filme: os Maias estavam certos, o mundo tá OK, até que chega o dia 21 de dezembro de 2012 e, de repente, tudo começa a ir abaixo – menos os mares, que sobem. E é essa a desculpa dada pelo diretor para gastar quase 70% de seu orçamento em efeitos especiais, ao invés de contratar um roteirista decente ou dar um calote no produtor e passar o resto da vida nas Bahamas. Apesar de tudo – e do John Cusack, principalmente do John Cusack – o filme é bem divertido, boa parte dessa diversão pelo fato de agrupar em coisa de duas horas de exibição todo e qualquer desastre natural que se possa imaginar possível? Terremoto? Vulcão em erupção? Tsunami? Tornados? Termas explodindo? Tudo isso pode ser visto aqui. Então pegue sua pipoca e se prepare para não vomitar com a atuação do John Cusack – aliás, já falei como ele está horrível nesse filme? algumas horas de diversão garantida.


A Noite dos Mortos Vivos



Um filme pra quem quer se sentir inteligente. Eu sei que parece algo absurdo quando você fala de um filme que é sobre um apocalipse zumbi, mas é a verdade; A Noite dos Mortos Vivos é um filme cult. Primeiro, porque te tudo o que um filme cult precisa ter: é uma produção independente em preto e branco com atores ruins. Mas não apenas isso; A Noite dos Mortos Vivos não é apenas um filme sobre zumbis. É O filme sobre zumbis. Ainda que a temática zumbi não fosse novidade em 1968, George Romero (o gênio sentado na cadeira de diretor) é o primeiro cara a pensar na possibilidade de um apocalipse zumbi. Sim, o PRIMEIRO! Então, se você gosta de Resident Evil e The Walking Dead, A Noite dos Mortos Vivos é simplesmente obrigatório, já que nenhuma dessas coisas existiria sem a influência desse filme. Que é tosco. Com uma história tosca. E atuações toscas. Mas, e daí? É um filme de zumbi, o que mais podemos esperar, não é mesmo? Como a produção foi feita com quase nenhuma grana, o filme todo se passa numa fazenda, onde sete pessoas tentam sobreviver a uma infestação de zumbis. Além disso, o filme ainda tece muitas críticas à sociedade americana da época, à cultura estadunidense do final da década de 1960 e à Guerra do Vietnã, o que o torna um filme extremamente ruim com crítica social. Sério, alguém ainda duvida que esse seja um filme cult?Recomendado para os párias sociais que gostam de pagar de intelectual.


Independence Day



A Verdade Está Lá Fora. The Truth Is Out There. Die Wahrheit Ist Da Draussen. Se você é fã de Arquivo X, sabe que, uma hora ou outra, os homenzinhos verdes vão acabar descendo aqui na terra pra fazer contato; normalmente em Varginha, pedindo pra que a gente busque conhecimento. Mas também pode acontecer que eles cheguem aqui e resolvam destruir tudo, só por esporte; afinal, um apocalipse alien não é algo que devemos descartar por completo. E nesse contexto, Independence Day ainda é o filme mais divertido do gênero. Primeiro, porque não é pretensioso: ele não perde tempo tentando explicar o porque os Aliens vieram para a Terra, porque começaram a atirar em nós e porque resolveram começar a destruição pelos EUA. De qualquer jeito, não há porques; os aliens chegaram, atiraram e começaram a fuder tudo. Então, o filme inteiro se passa com aquilo que nós mais gostamos quando vamos ver um filme: tiros, explosões, comandantes de meia-idade desesperados gritando comandos sem sentido e o Will Smith fazendo piadas ruins. E ainda que o comandante de meia-idade não convença tanto na ordens sem sentido (em alguns momentos elas até parecem fazer sentido), Will Smith, como sempre, não decepciona nas piadas ruins, o que faz desse filme algo obrigatório. Além, é lógico dos tiros. E mísseis. E lasers. E vacas.


Padre



Porque esse filme tá aqui? Primeiro: é o único exemplo que eu me lembro de um apocalipse vampiro. Segundo: é ruim. Terceiro: tem porrada. Precisa de mais coisa? Padre é um filme único: uma adaptação de um quadrinho coreano clichê, que esqueceu totalmente os quadrinhos e criou uma história totalmente nova e clichê que, incrivelmente, conseguiu ser mais original que a original. Ao invés de caçar o diabo, o Padre do filme caça vampiros. Mas não são vampiros desses que brilham no escuro ou que morrem com uma estaca no coração; são criaturas extremamente fortes e rápidas que mais parecem ter saído de algum jogo da série Parasite Eve (e que são muito inspiradas nos vampiros do livro A Passagem). No filme, o personagem Padre (que original hein!) deve ir contra as ordens da Igreja (eu sempre me espanto em como esse filme consegue se superar), entrar na vila dos vampiros, matar todo mundo e resgatar sua sobrinha o que deve ser menos complicado do que ganhar o torneio de Wimbledon. E então rola muitas porradas, tiros, explosões, perseguições...basicamente, aquilo que se pode esperar de qualquer filme ruim de ação. Mas é um apocalipse vampiro, e só por isso já vale ser assistido.


Mas... 


...você acha que essa história de apocalipse é tudo muito sério e o que você quer mesmo é dar algumas risadas? Puta que pariu, que saco! Já te indiquei cinco filmes e você ainda não tá satisfeito! Não é à toa que ainda tá solteiro. Não tem problema! O que não falta são boas comédias sobre o Apocalipse. Confira comigo no replay!


Cockneys vs Zombies



Um dos melhores filmes para se ter uma boa ideia do absurdo que pode ser um apocalipse zumbi. Um grupo de ladrões sem talento nenhum assalta um banco para impedir que o asilo em que o avô deles mora seja demolido. Enquanto isso, uma construtora abre uma antiga tumba da época do Rei Arthur, liberando um zumbi adormecido que começa a infectar todo mundo. Quando o grupo termina o roubo, ao invés de cercado pela polícia, descobre que está mesmo é cercado por zumbis, e agora precisam correr para o asilo salvar os bons velhinhos de lá! Sim, o filme é um absurdo – absurdamente engraçado! Os personagens são tão incapazes e as situações tão absurdas – até mesmo se levarmos em conta que está acontecendo um apocalipse zumbi – que é difícil ficar mais de cinco minutos sem rir de algo. E se você, assim como eu, sempre se perguntou “quem venceria uma corrida? Um velhinho de 80 anos com um andador ou um zumbi?”, assista o filme e terá essa dúvida saciada de uma vez por todas. Ou não.

Marte Ataca!



O melhor filme do Tim Burton, fácil fácil. Esse filme da época que o Burton ainda fazia coisas que prestavam de 1996 se aproveita da onda alien causada por Independence Day e nos dá uma mostra do que poderia ser um verdadeiro apocalipse alienígena. A história é a mesma do filme mais “sério”: era apenas mais um dia comum na Terra, até os aliens aparecerem e começarem a atirar em todo mundo. E Marte Ataca! tem tudo que um bom filme do gênero de paródias precisa: piadas ruins e clichês em cima de clichês com piadas ruins e uma cereja no topo pra enfeitar. Desde o presidente americano burro, a gostosona sem cérebro e as crianças que salvam a Casa Branca porque jogavam videogame o dia inteiro e isso fazia delas experts no uso de armas alienígenas, o filme é uma fonte certa de boas risada. Simplesmente obrigatório.





Menção Honrosa: Waterworld – O Segredo das Águas



As calotas polares derreteram, o nível dos oceanos subiram, papel vale mais do que ouro e a existência de ilhas não passa de lenda urbana. Isso tudo, além do Kevin Costner com guelras no lugar das orelhas - PRINCIPALMENTE o Kevin Costner com guelras no lugar das orelhas - , fazem desse filme umas das piores produções da história. De longe. Então, é lógico que deveria receber uma menção honrosa nessa lista, não é mesmo? Recomendo assisti-lo depois que o mundo todo tiver destruído e você começar a sentir saudade da humanidade; esse filme é um bom lembrete de que ela mereceu o destino e que não devemos sentir dó daqueles que se foram.