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Vingadores vs X-Men - A esperada luta chega ao Brasil!

A saga do ano em 2012 da Marvel chegou ao Brasil neste último mês de março: Vingadores vs X-Men está nas bancas do nosso país depois de menos de um ano do seu lançamento oficial nos Estados Unidos. A série, que trouxe um embate esperado por muitos, foi um sucesso e trouxe um reboot enorme para o Universo 616 da editora.

As histórias foram feitas por diversos nomes, como Brian Michael Bendis, Jason Aaron, Jonathan Hickman, Ed Brubaker e Matt Fraction, com os roteiros de cada edição no revezamento entre esses nomes. Nos traços, aparece John Romita Jr. nas primeiras 5 edições, depois melhoradas por Olivier Coipel a partir da 6º. Há também os nomes de Adam Kubert, Frank Cho e Jim Cheung em algumas publicações.

Aqui no Brasil, a história é distribuída pela Panini, com tradução feita por Rodrigo França, Paulo França e Fernando Lopes.




Em questão de vendas, Vingadores vs X-Men foi um sucesso nos EUA. Desde a edição #00 até a #12 (a última), a saga se manteve no topo das paradas norte-americanas nos gibis, interrompida somente em setembro, quando The Walking Dead ficou em primeiro. Tie-ins e revistas de "versus" também foram sucesso, quase sempre entre os 10 primeiros.

"Revistas de 'versus'"? No caso dessa saga, a Marvel lançou gibis especiais com lutas mais desenvolvidas que ocorreram durante a história. Mas afinal, POR QUE nossos bravos heróis estão lutando uns contra os outros?

A causa da porradaria


Bye bye,, mutants
Desde a Dinastia M, quando a Feiticeira Escarlate enlouqueceu e tocou o puteiro disse "No More Mutants", a raça mutante foi (quase) pro saco, sobrando menos de 200 em todo o mundo. A possível salvação dos X-Men é Esperança, conhecida também como Hope Summers. Ciclope sabe disso e quer prepará-la para ser a Messias dos mutantes.

No lado dos Vingadores, eles são surpreendidos por uma mensagem meteórica de Nova, para anunciar a chegada da... Força Fênix! O pássaro de fogo está vindo a Terra para destruir o planeta... ou para salvar os mutantes. Depende do ponto de vista.

Capitão América e sua trupe vão tentar deter a Fênix e salvar nosso planeta, enquanto os X-Men a aguardarão como salvadora de sua raça. A única certeza é que toda a energia já tem um hospedeiro certo: Esperança. Logo ela se torna peça essencial na trama, com todo mundo a querendo do seu lado. Mas o desespero em tê-la fará com que ela se isole de todos.

Na busca por ela, as duas equipes se espalham por diversos lugares. Wakanda, Tábula Rasa, Latvéria, Terra Selvagem, até na montanha Wungadore. E é porrada em tudo quanto é lugar. Nisso irá aparecer o contexto de quase todas as batalhas das revistas versus. Aliás, vou aproveitar e listar todos os embates detalhados:


Versus 01
- Homem de Ferro vs Magneto
- Coisa vs Namor

Versus 02
- Homem Aranha vs Colossus Fanático
- Capitão América vs Gambit

Versus 03
- Viúva Negra vs Magia
- Coisa vs Colossus Fanático

Versus 04
- Demolidor vs Psylocke
- Thor vs Emma Frost

Versus 05
- Pantera Negra vs Tempestade (triste, triste... mas aconteceu)
- Gavião Arqueiro vs Anjo

Versus 06
- Feiticeira Escarlate vs Esperança
- diversas batalhas durante toda a série

Sim, algumas parecem meio absurdas ou até mesmo extremamente desiguais. Porém em lutas que até a energia de Júpiter ajuda... espere qualquer coisa.

A consequência da porradaria

Antes de mais nada, adianto desde já: se você não quer saber NADA de spoilers, FUJA!  Se não, vai ficar com cara de otário Leonard. Claro, não vou também entregar de cara todos os acontecimentos, mas vou comentar sobre as proporções da história, podendo escapar algumas revelações.




Acontece que a Fênix chega até sua hospedeira, mas o brilhante Tony Stark solta suas porcarias tecnologias e libera o poder de Hope Summers para... outros 5 X-Men! No caso, Ciclope, Colossus, Magia, Emma Frost e Namor.

Se havia algum equilíbrio entre as lutas anteriores, bom, isso sumiu. Pois um X-Men/Fênix sozinho dá conta de todos os Vingadores juntos. "E como os super-heróis mais poderosos da Terra salvarão o nosso planeta?"

A ironia da pergunta (sim, houve uma) é em razão de que a saga toma um lado na história e isso fica óbvio a partir já da primeira edição. A começar pela liderança de um novo e diferenciado Ciclope. O quatro-zóio é um novo Magneto em Vingadores vs X-Men, desde os papos de "precisamos salvar os mutantes", "eles não nos entendem" e toda essa conversa de evolução da espécie. Talvez a convivência dos dois tenha afetado Summers - ambos trabalham juntos na Escola Jean Grey para Jovens Superdotados.

Ciclope também é alvo de diversas contradições na história, em cada edição ele muda sua linha de pensamento. A justificativa para tal instabilidade é o poder da Fênix, que estava prestes a corromper os 5 X-Men - e SPOILER AQUI: quando um X-Men/Fênix era derrotado, o poder desse era dividido entre os outros, que ficavam ainda mais fortes, e claro, malucos.

Independente disso, transformá-lo em um anti-herói parece ser o escape para tentar tornar o personagem novamente um centro de atenções no universo Marvel. É válido lembrar que Ciclope foi descartado no filme X-Men 3 - O Confronto Final logo no começo, além de sequer aparecer em X-Men: Primeira Classe - preterido pelo irmão mais novo. Não só nos cinemas, Scott também foi preterido até nos videogames. Em Marvel vs Capcom 3, ele também não aparece (e olha que até X-23 e M.O.D.O.K. são alguns dos selecionáveis...).

Em relação à saga venerar os Vingadores, novamente podemos olhar para o cinema e entender o porque disso acontecer. Não digo isso somente pelo sucesso dos filmes e sim pela projeção que o grupo está  tomando (com filmes confirmados nos próximos anos, além da ótima crítica sobre o blockbuster lançado ano passado). Hoje, os direitos sobre os mutantes do X-Men estão com a FOX. Já Capitão América e seus comandados estão com a própria Marvel.

Mas seria uma tremenda burrice da editora ferrar seus próprios personagens, certo? Não. Eles podem subir a moral dos mutantes quando bem entender nos quadrinhos. E quando os direitos cinematográficos voltarem, farão o mesmo na telona. Enquanto bombas como X-Men Origins: Wolverine forem lançadas, eles terão tempo para remodelar tudo isso.

No entanto, esse argumento cai por água abaixo quando lembramos do Homem Aranha. Um personagem que também pertence a Fox nos cinemas e que está mal nos quadrinhos (Dan Slott que o diga), não seria o ideal para se apostar. Acontece que o amigão da vizinhança não só volta ao protagonismo nessa série como também arrasa. Minha edição favorita da saga é a #09 graças ao aracnídeo, e olha que nem sou muito fã dele. Lembra quando falei que um X-Men/Fênix destrói todos os Vingadores juntos? Bom, Peter Parker vai lutar contra dois... Sozinho.

Esse mesmo protagonismo é estranhamente repassado para o Punho de Ferro. Personagem secundário, "The Iron Fist" ganha uma importância suprema de uma hora para outra. De repente K'un Lun é uma terra sagrada onde já foi enfrentada a Fênix. E o Punho de Ferro foi quem realizou tal feito. Parece que nem Danny Rand sabia dessa...

Dificilmente o personagem conseguirá ampliar seus horizontes no Universo Marvel, mesmo com toda importância ganha na saga. Punho de Ferro não ganhou um poder acima do que tinha ou nada (é inclusive facilmente derrotado em suas lutas contra os 5 Fênix). Seu companheiro de lutas, Luke Cage, só aparece lutando contra o Namor  no começo da saga (e tomando uma bela surra, inclusive).

De qualquer forma, fica o tie-in com a história do mesmo, mostrando a  relação do Punho de Ferro antigo com a Fênix anos atrás - e o porquê de Danny ficar tão importante na saga.


O Reboot

Toda grande saga de quadrinhos traz aquele "rebootzinho básico", e Vingadores vs X-Men não é diferente. Parte desse reboot é mostrado já nas 5 edições posteriores, "Consequências". A nova formação dos mutantes e dos vingadores passa a ser remodelada para as próximas séries da Casa das Idéias: a Marvel Now.



O sucesso da nova era da Marvel foi perceptível nos Estados Unidos, onde a DC Comics foi desbancada de vez no número de vendas após o relaunch de 2011 com os Novos 52. Entre as novas histórias, destaque para "All New X-Men", onde o formação original dos alunos de Xavier viajam no tempo e se assustam com o presente; "Uncanny Avengers", grupo feito por mutantes e Vingadores; e, claro, "Avengers", em uma formação inflada com 18 membros.

Como toda grande saga, há uma morte importante na história (mas todo mundo sabe que morrer nos quadrinhos não significa nada). É realmente um acontecimento inesperado, mas... ele volta. Entretanto, vai ser interessante ver as novas histórias sem tal personagem.

Vale a leitura




Vingadores vs X-Men é leitura obrigatória para os fãs da Marvel, apesar de suas falhas de roteiro e inconstâncias em algum momento. Se você gosta de pancadaria, a revista é ótima, principalmente as adicionais "Versus". A ilustração é bem feita a partir da 6º edição e não deixa a desejar nas outras. Além de que você pode ver vários personagens em ação, mesmo aqueles que não aparecem muito (vai que você é fã do Capitão Britânia ou do Gambit... ai não dá para esperar muita coisa nessa saga).

Comparada com outras últimas grandes sagas, vale a pena comprar e acompanhar Vingadores vs X-Men. Disponível em algumas bancas ou no site da Panini. Mas não espere algo revolucionário.

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Bitstrips - Conecte-se


Nesse exato momento do dia 14/03/2013, você deve estar se perguntando que desgraça é esse monte de quadrinhos que tão entupindo minha timeline? Pois é. Pelo que tudo indica o Bitstrips é a nova febre do Facebook. Tá perdido ainda? Calma, vamos explicar.


O Bitstrips é um aplicativo do Facebook que permite ao usuário criar um avatar próprio em versão HQ e fazer tirinhas com ele. Também dá pra cartunizar o amigo que você quiser. Existem desde cartões de aniversário, namoro etc até zoação pura. Dentro da própria tirinha é possível mexer na posição dos "bonequinhos", incluir falas, mudar expressões etc. Depois de criado, o resultado final vai parar no mural e fica armazenado em um álbum próprio do App. Simples, fácil de mexer e muito divertido. Se ainda não criou o seu avatar no Bitstrips corre lá e aproveita!

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Quadrinhos, homossexualidade e polêmicas (des)necessárias


Há vários dias na imprensa saiu a imagem do x-men Wolverine beijando Hércules em uma HQ da Marvel Comics. Logo, todo o facebook, portais de notícias e sites que abordam o mundo dos quadrinhos (ou não) aqui do Brasil publicaram notícias, opiniões e criaram certo circo em torno do acontecimento.

Para quem ainda não está ligado no caso, o fatídico beijo acontece na edição #10 de “X-MEN X-TREME”. A cena se passa na Grécia Antiga em uma realidade alternativa. Tão alternativa que o Wolverine por lá é chamado de coronel James Howlett (seu verdadeiro nome). Ou seja, esse não é exatamente o Wolverine “oficial” que você provavelmente conhece, ele é uma outra versão, sacou?

Para quem tem uma memória decente, é fácil se lembrar de uma polêmica um pouco maior, que aconteceu no ano passado envolvendo o personagem Alan Scott, o Lanterna Verde (um de vários, sejamos claros e não o Ryan Reynolds), da DC Comics. Houve também o casamento do personagem Estrela Polar, da Marvel, com seu namorado Kyle Jinadu. Aqui vale ressaltar que Estrela Polar já era gay assumido desde a década de 1990.

Foi uma longa, e até proveitosa, discussão acerca de uma possível quebra de estereótipos nos quadrinhos (que são cheios deles). Muita gente deu opiniões muito boas e muita gente...não, como sempre. A exemplo disso temos esta pérola, que foi exibida no Fantástico ano passado. Assista e "do the facepalm" você também.




Mó galera concorda 
Esse pseudo-jornalismo, pra não dizer coisa pior, enfureceu muita gente. As gafes começam pela trilha sonora e texto debochado, a falta de apuração decente (que levou ao erro de colocar imagens de Hal Jordan, interpretado por Ryan Reynolds na adaptação cinematográfica, no lugar de Alan Scott) e por aí vai.

A questão aqui é: já passamos por essa discussão antes. Será que é necessário tanto barulho? Ok, o Wolverine é um personagem amplamente conhecido, principalmente depois das adaptações para o cinema, tido como um “símbolo de masculinidade” (ele anda de moto, é marrento, fuma charuto, pegou um monte de x-men-gatinhas etc, etc) e “mudar” sua orientação sexual, mesmo que em um universo paralelo, pode ser um pouco atordoante. Mas vá lá, você pode viver com isso, né? NÉ?!

O grande debate sobre personagens homossexuais tendo mais espaço nos quadrinhos já foi feito, apesar de ser saudável manter a discussão aberta a novas situações. Mas o que eu vi até agora sobre o assunto foram opiniões vazias, ou pior, opiniões cheias de preconceito, disfarçado ou não. Onde está o debate e a troca de informações e opiniões realmente relevantes?

Além disso, como que para confirmar a falta de importância da polêmica, os principais sites de quadrinhos aqui do Brasil não ficaram feito mosca no lixo acerca do assunto. Noticiaram e ponto. E isso já quer dizer muita coisa.

O que bastante gente também não sabe (ou não quer saber mesmo) é que a coisa vem de antes do Wolverine, de antes do Lanterna Verde e que não envolve apenas personagens masculinos, mas também femininos.



A bonitona acima é a batwoman Kate Kane (não confunda com Kathy Kane criada nos anos 1950), assumidamente lésbica desde sua criação em 2006. A personagem já ganhou prêmios importantes, incluindo um prêmio da GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation). Isso pouca gente fala por aqui. O que me leva a crer que muitas das notícias não estão interessadas nas novidades da indústria dos quadrinhos ou em um debate saudável sobre a aceitação de personagens homossexuais e a quebra de estereótipos, e sim em falar que “fulano é gay”. Até porque, duas mulheres “se pegando” é algo visto como bonito, sensual e é aprovado e encorajado nos quadrinhos por uma massa de punheteiros por aí.

Veja bem, a DC tem tanto direito de fazer Kate se relacionar com mulheres na trama, quanto tem de fazer o mesmo com Alan Scott. O que quero apontar é: por que com ela não há notícias, postagens, status de facebook xingando a editora, e com Wolverine e os demais há?

Mais uma coisa!



Eu vi muitos argumentos falando “até onde a editora vai pra vender? Que absurdo”, “isso é só pra criar polêmica e vender mais”. Ok, argumento válido... Mas depende. Por que a galera não sai às ruas quando as editoras matam um personagem importante, só pra depois trazê-lo de volta com uma desculpa esfarrapada? Por que quando fazem reboots loucos e de qualidade duvidosa não se ouve alarde desse tanto de gente? Por quê? POR QUÊ?! Porque, na verdade, a maioria das pessoas não liga para a sede de vendas das editoras e suas decisões baseadas no dinheiro, mas sim para mudarem a orientação sexual de um personagem, seja em universo paralelo, universo principal, fanfiction rua, chuva, fazenda, casinha de sapê.

Vamos pensar nisso. Mas acima de tudo vamos tentar fazer algo melhor. Realmente ler as histórias antes de tirar conclusões, entender o contexto daquela história e personagem e dar uma chance à um novo modo de pensar e fazer quadrinhos.

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Excelsior! 90 anos de Stan Lee



Ele é o avô que gostaríamos de ter, ele é o não-ator que faz as participações mais legais em filmes da Marvel, ele é o velhinho mais amado da indústria dos quadrinhos, ele é Stan “Tha Man” Lee e está fazendo 90 anos hoje! Aqui você vai ver grandes momentos da carreira desse paladino dos quadrinhos e algumas de suas mais famosas criações.
Stanley Martin Lieber nasceu em 28 de dezembro de 1922 em Manhattan, Nova York, e no começo da carreira não se interessava muito por uma carreira nos quadrinhos. A ideia de usar o nome Stan Lee veio porque ele queria ser escritor e fazer um romance de grande sucesso, logo não queria que seu nome real fosse relacionado com quadrinhos, que não eram muito bem vistos na época. Quem diria?
Stan veio de uma família de imigrantes romenos que passou por dificuldades, principalmente na época da Grande Depressão. Ele começou a trabalhar bem cedo fazendo bicos, como office-boy e entregador de sanduíches por exemplo, mas não demorou muito para o marido de sua prima, Martin Goodman, publisher da Timely Comics, o chamar para trabalhar na editora.


Na Casa das Ideias

Acontece que a Timely Comics era nada mais nada menos que o embrião da empresa conhecida hoje como Marvel Comics. Se engana quem achou que Stan Lee já chegou arregaçando na editora, uma de suas primeiras funções na Timely foi encher os tinteiros para os artistas (naquela época a coisa funcionava molhando a caneta na tinta). Ele também buscava os almoço da galera, fazia a revisão e apagava as marcas de lápis das páginas finalizadas.

Sua primeira história publicada foi “A Vingança do Traidor” que saiu na Captain America Comics  #3, como tapa-buraco. Já aos 19 anos, Lee foi promovido à editor interino por Goodman, mostrando grande talento para os negócios e garantindo sua posição na editora.

Na década de 1950 foi criado a Comics Code Authority, uma associação que censurava as revistas em quadrinhos e proibiam tudo o que é legal certos temas nas histórias. Nessa época os heróis saíram um pouco de moda e Stan passou a escrever tramas com temas mais variados como western, ficção científica, aventuras medievais, horror e até romances. Descontente com o rumo que sua carreira estava tomando, nosso herói pensava em largar os quadrinhos (NOOOOOO!).

No início da década de 1960, a DC Comics estava fazendo sucesso com a recente criação da Liga da Justiça e dominava o mercado das HQ’s. Martin Goodman deu a Lee a tarefa de criar um grupo de super-heróis para concorrer com a Liga da DC e, em parceria com Jack Kirby, ele criou o Quarteto Fantástico. Grande parte do sucesso da criação se deu à esposa de Stan Lee (sua linda!) que encorajou o maridão a experimentar o que ele quisesse, já que ele não se importava muito em ser demitido ou não.

A ideia de trazer quatro super-heróis que não usavam máscaras e não tinham identidades secretas, algo novo para a época, foi bem aceita. O Quarteto Fantástico, que trazia um casal de noivos, Reed Richards (Sr. Fantástico) e Sue Storm (Garota Invisível), o irmão mais novo de Sue, Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (Coisa). Esses personagens traziam uma dose de realidade, não era idealizados como se costumava ver na época.



E foi justamente aí que teve início a revolução da Marvel. Nosso aniversariante foi um dos responsáveis por dar aos personagens das histórias em quadrinhos sentimentos mais humanos e conflituosos, criando histórias com temas mais sérios, dando profundidade à fórmula de “herói bonzinho derrota vilão e salva o dia”, e trazendo aos leitores algo que a então toda-poderosa Distinta Concorrência, DC Comics, não oferecia na época.

Essa revolução no modo de fazer quadrinhos foi além das histórias e se estendeu à relação que os artistas e a editora tinham com os fãs. Ele passou a creditar o letrista e o responsável pela arte final e também passou a publicar notícias sobre o staff da editora, de um jeito descontraído e amigável. Ele também manteve durante a década de 1960 a “Stan Soapbox”, uma coluna mensal. Foi nela que o bordão “Excelsior” foi introduzido.

O Amigão da Vizinhança

Em agosto de 1962 era publicada a criação mais popular de Stan Lee, Steve Ditko e Jack Kirby. O Homem-Aranha nascia no auge da Era de Prata dos quadrinhos. Stan era o editor-chefe e principal escritor da Casa das Ideias e já havia apresentado o Aranha para Martin Goodman, que não gostou muito do herói lançador de teias. Para ele um personagem inspirado em uma aranha não faria sucesso, pois as pessoas odeiam aranhas. E se a criação do Quarteto Fantástico já foi algo fora dos padrões, a de um adolescente franzino e problemático que morava com os velhos tios era ainda mais. O que Goodman não percebeu na época era que a ideia de Stan era de criar um personagem com o qual o publico da Marvel, em geral crianças e adolescentes, pudessem se identificar. Apesar da rejeição de Goodman, a lábia de Stan Lee era boa e em
Amazing Fantasy #15 o Homem-Aranha veio a público. No ínico como uma tentativa de salvar a revista, que ia mal das pernas, mas não demorou muito para que o Amigão da Vizinhança ganhasse uma publicação própria (Amazing Spider-Man #1 foi publicada em março de 1963) e se tornasse um sucesso de vendas e o símbolo da Marvel.
Curiosidade que vale a pena saber: em 1971, uma história publicada em Amazing Spider-Man #96-98 ajudou a reformar o Comics Code Authority (que eu já citei lá cima). Stan criou uma trama em que Harry Osborn se torna viciado em drogas, a pedido do Departamento de Saúde, Educação e Bem Estar dos Estados Unidos, que havia pedido à Marvel uma história sobre os perigos das drogas para alertar os jovens. Mesmo assim o Comics Code Authority não quis conceder o selo pelo fato de serem chatos pra caralho as histórias mostrarem o uso dos entorpecentes (eu fico aqui me perguntando, como falar dos males do uso de dorgas, se você não mostra o uso de dorgas...vai entender). Diante da situação, Lee, com o apoio de Martin Goodman, mandou o Comics Code à merda passear e publicou a história mesmo assim. Resultado, as edições venderam bem e a Marvel foi elogiada pela ação social de conscientização. Após o episódio, o Comics Code Authority passou a dar mais liberdade criativa às histórias em quadrinhos. Ponto pro Stan.

Além do Quarteto Fantástico e do Homem-Aranha, estão entre as grandes criações de Stan Lee os X-men, Hulk, Thor, Demolidor, Homem de Ferro entre muitos outros. Os principais parceiros Jack Kirby e Steve Ditko estiveram presentes em muitas concepções desses e outros heróis e também de vilões. De fato, os créditos desses dois desenhistas e roteiristas são muitas vezes deixados de lado e os louros vão unicamente para Stan, que por vezes também “esquece” de creditar os dois. E eles não são os únicos, vale salientar que apesar de Lee ter criado os X-men, Wolverine foi obra de Len Wein, mas pouca gente lembra disso.

Polêmicas à parte, Stan fez parte da gênesis de diversos personagens da Casa das Ideias, como a Marvel é conhecida, mas o grande feito de Stan Lee foi ter levado a Marvel Comics de uma pequena editora para uma grande corporação multimídia, que hoje em dia invade a televisão, o cinema, os games, estampas de camisetas, lancheiras e até decoração de festinhas infantis, e ter feito de si mesmo, uma marca, talvez até a personificação da Marvel (exagero meu?).




Stan Lee também é muito lembrado por suas participações em filmes da Marvel. Duas das minhas preferidas são a de “Homem de Ferro”, em que ele interpreta Hugh Hefner, fundador da Playboy, com direito a coelhinhas e tudo, e a de “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, na qual ele interpreta...ele mesmo! Veja o vídeo, pois relembrar é viver!




Esse ano Stan nos deu um sustinho de leve. Ele teve passou por uma cirurgia para implantar um marcapasso. Bem-humorado, ele afirmou que agora se parece mais com um de seus personagens, o Homem de Ferro. Esse foi o comunicado que ele soltou após o ocorrido:

“Atenção, tropas!
Este é um despacho enviado do amado Generalíssimo, diretamente a partir do centro da zona de combate de Hollywood!
Agora ouçais isso! Seu líder não vós abandonaste! Em um esforço para ser mais parecido com o meu companheiro Vingador, Tony Stark, eu tive um marcapasso eletrônico implantado perto de meu coração para certificar que eu seja capaz de liderar por mais 90 anos.
Mas não tenhais medo, meus valentes guerreiros. Estou em contato constante com os nossos comandantes em campo e a vitória logo será nossa. Agora tenho que terminar esta expedição e me unir às minhas tropas, porque um exército sem um líder é como um dia sem uma participação especial em um filme!”

Agora me diz se é possível não amar um véio lindo desses!

Sabemos que mais noventa anos de reinado não é uma coisa muito viabilizável, mas espero que nosso bom e velho Stan fique por aqui bastante tempo ainda já que até Oscar Niemeyer já bateu as botas...

Feliz aniversário Stan! Excelsior!


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Apocalipse: 5 quadrinhos em universos pós-apocalípticos

E se a humanidade, ou parte dela, sobreviver ao apocalipse? Essas cinco HQ’s trazem mundos assolados por diferentes tipos de apocalipses e mostram como ficou a população do planeta depois deles. Leia e aprenda como sobreviver em mundos pós-apocalipticos ou apenas mate o tédio até o dia 21 chegar.


Sweet Tooth – Depois do Apocalipse



O primeiro volume foi lançado agora no final de 2012 pela Panini e já arrancou elogios gringos como aposta da Vertigo. Considerada como um “Mad Max combinado com Bambi”, Sweeth Tooth conta a história de Gus, um menino de 9 anos que tem características físicas de humano misturadas com a de um veado (me refiro ao animal, seu animal). O menino vivia com seu pai em uma floresta, isolado do mundo, e era sempre advertido de que nunca deve deixar o lugar por causa dos perigos do mundo lá fora. Como nem tudo são flores, o pai de Gus bate as botas. Logo após a morte de seu pai, Gus conhece um velho mal-humorado chamado Jeppard, que promete levá-lo à “Reserva”, um lugar seguro para os híbridos e a jornada dos dois tem início.
No mundo pós-apocalíptico de Gus, grande parte da população foi dizimada por uma doença misteriosa e o que restou está morrendo aos poucos. As únicas pessoas que não são infectadas pelo vírus-maldito-do-apocalipse são crianças como Gus, metade humanas e metade animais, que começaram a nascer após o aparecimento do vírus, há 7 anos. Eis aí um dos muitos mistérios da história, Gus aparentemente nasceu antes desses acontecimentos. As crianças híbridas são caçadas tanto por suas características estranhas, quanto por, talvez, trazerem em si a cura para o vírus.
Sweet Tooth traz à tona boas doses de sensibilidade, mas sem pieguice, e a ingenuidade de Gus faz um bom contraponto com a brutalidade de Jepperd, que adora explodir um crânio por aí.


Neon Genesis Evangelion



Esse mangá é o que mais se aproxima de um apocalipse religioso nessa lista. Mas antes começarmos, vale ressaltar que o mangá e o anime possuem diferenças importantes. Mesmo o mangá tendo sido publicado antes, o anime foi concebido primeiro. Além disso o mangá tem um ritmo de publicação leeeeeeento, está sendo publicado desde 1995. Agora voltemos à programação normal.
A história de Evangelion gira em torno da história de Shinji Ikari, um moleque de 14 anos meio tímido e medroso. Ele cresceu sem conhecer a mãe e tem sérios problemas de relacionamento com o pai, Gendo Ikari. Esse por sua vez é o comandante supremo da NERV, uma organização paramilitar criada para combater os Anjos, seres monstruosamente gigantesco que costumam espalhar o caos e a destruição quando aparecem. Para combater esses seres, são criados os EVAs, mechas pilotados por crianças. Shinji é uma dessas crianças e o único capaz de pilotar a unidade 01. O apocalipse do universo de Evangelion ficou conhecido como Segundo Impacto e dizimou quase todo o hemisfério sul da população mundial, tá bom ou quer mais?
Evangelion, além de mostrar um dos cenários pós-apocalipticos mais fodas que eu já vi, traz uma grande profundidade na história e nas relações entre os personagens.

Marvel Zombies



E se seus super heróis favoritos virassem zumbis? A Marvel respondeu essa pergunta lançando Marvel Zombies, uma saga na qual Capitão América, Homem Aranha e cia não pensam em outra coisa a não ser em carne humana.
Marvel Zombies apareceu pela primeira vez numa história curtinha do Ultimate Fantastic Four, onde Reed Richards encontra uma dimensão cheias de zumbis. Mas tudo começa com uma versão infectada do Sentinela aparecendo em clarão no céu. Obviamente os Vingadores são chamados para averiguar a situação e, é claro, todos são infectados também, transformando-se em comedores de cérebro. Como se não bastasse outros heróis são infectados pelos Vingadores e aí, vocês já sabem, apocalipse zumbi.
Após acabar com toda a fonte de alimento na Terra, os super-zumbis partem rumo a outros planetas para um banquete alienígena. E como eles conseguem isso? Devorando Galactus, o Devorador de Mundos (tu dum tss), e absorvendo seus poderes, é claro!
Em Marvel Zombies a situação de epidemia vai tão ao extremo que todos os heróis são transformados em zumbis, não restando ninguém para deter a situação e salvar a humanidade.
Uma curiosidade legal é que todas as capas da série fazem uma homenagem à capas clássicas da Marvel, só que em versão zumbificada.


Y: O último homem



Esse apocalipse é um pouco diferente (mas não menos divertido). Em Y: O Último Homem, todos os seres vivos da terra portadores do cromossomo Y, ou seja, todos os espécimes machos morrem...e as mulheres dominam o mundo, fim da história! Só que não. Yorick e seu macaco de estimação, Ampersand, conseguem sobreviver e são os dois últimos machos restantes desse planeta azul-calcinha. Você deve estar pensando “cara de sorte, tem todas as mulheres do mundo só pra ele, vai comer geral”, mas não é bem assim. Yorick sofre bastante entre tentativas de sedução e assassinato, vira um objeto de desejo nos mais diversos sentidos da palavra.
As mulheres, sem seus entes queridos e em meio ao caos, têm que assumir tarefas antes designadas aos homens e muitas passam a rever a mentalidade feminista. Outras ainda acreditam que a extinção dos homens foi uma vontade divina.
Não há zumbis, asteróides ou cavaleiros do apocalipse, mas o autor Brian K. Vaughan nos mostra que dizimar (quase) todos os homens do planeta pode ter um efeito um tanto apocalíptico na humanidade.


Planeta Morto



Uma coisa em comum sobre todos os outros quadrinhos dessa lista é que nenhum se passa no Brasil. Sim, Planeta Morto não apenas é uma HQ nacional, ela se passa inicialmente na cidade de São Paulo, uma metrópole, que na minha opinião, combina bem com zumbis. Depois outros lugares serão abordados (estou ansiosa para ver zumbis na caatinga, num clima meio Bando de Dois, do Danilo Beyruth).
Outra coisa legal sobre Planeta Morto é que o roteiro foi escolhido através de uma campanha promovida pelo site brasileiro de The Walking Dead e pelo desenhista Celso Ludgero. O roteiro escolhido foi o da estudante Fernando Oz e parece promissor. A protagonista é a estudante de biomedicina Elisa, que decide não virar snack de zumbi e junta forças com seus amigos Eric e Carlos e os irmãos Jorge e Ricardo.
Mais uma coisa legal: o lançamento de Planeta Morto é no próximo dia 21 (ah, vá!), online e gratuitamente. Por enquanto já dá pra ir tendo uma noção de como vai ficar na página da HQ no facebook. Sempre vale a pena dar uma força para o quadrinho nacional.