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Time Commando - Game Flashback



Plataforma: PC/Playstation/Sega Saturn
Desenvolvedora: Adeline Software International
Ano: 1996


Nunca esqueço um certo dia lá nos idos de 1998, auge dos meus 7 anos de idade, quando brincando na casa de um amigo, achamos jogado numa gaveta um CD com a capa aí de cima. 

- Time Commando, que que é isso?

- Ah, é um jogo que meu pai me deu, mas nunca joguei

- Parece da hora, vamo ver como é!

Instalamos o tal do jogo e começa a bagaça. Aí é que ferrou-se tudo. Pedi o jogo emprestado pro meu amigo, e o CD ficou em casa por uns bons meses. Foi sem dúvida uma das experiências mais divertidas que tive na minha vida de gamer. Vamos entender o porque em seguida.


Time Commando é um jogo de ação em terceira pessoa, lançado em 1996 pela Activision. É talvez o melhor jogo com a temática de viagem no tempo, pouco explorada pela indústria dos games, infelizmente. A jogabilidade é naquele esquema dos primeiros Alone In The Dark: Segurando um botão você determina a "pose" do personagem, e com outro ataca. Na época era comum a maioria dos controles se resumirem basicamente ao teclado, mas se pararmos pra jogar algo assim hoje seria bem estranho. Em 2012, Time Commando foi relançado para os sistemas mais atuais, e pode ser adquirido no site www.gog.com.



Back in Time


A aventura acontece em um futuro próximo, onde os militares, com a ajuda de corporações privadas, criaram um computador capaz de simular todo tipo de combate em qualquer período da história. Porém, um hacker de uma empresa rival consegue instalar um vírus no sistema, criando um vórtex temporal que irá engolir e destruir todo o planeta caso não seja destruído. É aí que o jogador entra na pele de Stanley Opar, um membro da S.A.V.E. (Special Action for Virus Elimination ou Ação Especial de Eliminação Viral), que deverá entrar no vórtex para tentar acabar com o tal vírus. Mas para isso, Stanley deve tornar-se um mestre do combate em vários épocas, desde a pré-história até os tempos atuais.



Aí é que tá a graça. Cada nível tem uma quantidade de inimigos e armas diferentes (obviamente), o que torna o jogo extremamente diversificado e divertido. A primeira fase de Time Commando tem inimigos bem fracos e poucos desafios, servindo quase como um tutorial jogável pra pegar as manhas do jogo. Stanley vai enfrentar animais pré-históricos como Tigres-Dente-de-Sabre e homens primitivos, usando armas como pedras, lanças e um taco gigantesco. Após derrotar o chefão na forma de um Urso Gigante, o salto na história é grande, e vai parar no Império Romano. Dessa vez você já dispõe de espadas, tridentes e machados como armas. Stanley ainda passa pelo Japão Feudal, Idade Média e Era das Navegações (Conquistadores), mas a coisa vai ficar feia (e mais divertida) mesmo a partir do Velho Oeste, em que o arsenal é composto inteiramente por armas de fogo. A fase Guerras Modernas engloba a Primeira e Segunda Guerra Mundial e os conflitos mais atuais. Após passar por todos os níveis, Stanley volta ao futuro e finalmente consegue entrar na máquina para tentar derrotar o vírus.



Sim ou Não?

Time Commando tem gráficos e jogabilidade bastante datados. Lendo uma review de 1996, o que mais chamou atenção foi o quanto elogiaram os gráficos. Tudo é questão de parâmetro mesmo. Apesar disso, a grande variedade de armas e inimigos, com um pano de fundo de viagem no tempo, tornam o jogo extremamente divertido. Com tantos remakes sendo feitos hoje, tá aí uma boa ideia pra se trabalhar. Não seria nada mal jogar um Time Commando com gráficos de ponta, novos níveis e jogabilidade atualizada. Enquanto isso, o negócio é aproveitar o original, nem que seja pela pura nostalgia.

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Hunter Hunted - Game Trashback


Plataforma: PC
Desenvolvedora: Sierra
Ano: 1996


Em um futuro apocalíptico, uma raça de cruéis e sádicos alienígenas sequestra dois espécimes de guerreiros e os coloca pra batalhar até a morte, só por diversão. Atirando os combatentes em ambientes extremamente perigosos, o único intuito desses torturadores é tirar prazer da violência. Este podia ser o roteiro de um filme  de ficção científica de baixo orçamento qualquer, mas estamos falando da premissa básica de um game: Hunter Hunted, da Sierra.

O jogo foi lançado em outubro de 1996, e representava uma tentativa da Sierra de se afastar um pouco dos adventures point-and-click que alavancaram a companhia ao longo dos anos (King's Quest, Quest for Glory, Gabriel Knight, entre outros). Para Hunter Hunted, a ideia foi investir em um platformer de tiro nos moldes de Out of This World e Flashback.


Caça e caçador

O primeiro diferencial do jogo está na possibilidade de escolha de personagem. De um lado, temos o terráqueo Jake, um lutador das ruas mal-encarado e bombado, armado até os dentes. Do outro, está o monstro Gareth Den, uma espécie de misto entre alienígena e minotauro, extremamente ágil e feroz.

A decisão é muito importante e faz toda a diferença na dinâmica do jogo. Ao optar por Jake, você vai depender principalmente de armamentos e táticas de cobertura, esquivando-se e escondendo-se sempre que possível. Já Gareth Den tem grandes habilidades para corrida e pulos, atravessando os cenários com muita velocidade, além de contar com força descomunal.

Não é só a caçada entre os dois oponentes que dá o tom em Hunter Hunted. Existe uma grande variedade de missões, que vão desde o embate clássico a desafios contra o tempo, passando por fases com listas de objetivos. Ambientados em ruínas e corredores labirínticos, os níveis são repletos de criaturas robóticas prontos pra tornar sua jornada um verdadeiro inferno.

Jake está em maus lençóis enfrentando um pedaço de artilharia pesada

O lado bom


Multiplayer? Só se for com a tela dividida
O visual chega a impressionar (lembrando que é um jogo de 1996), com modelos 3D pré-renderizados, como no fantástico Killer Instinct. Apesar dos cenários bidimensionais com plataformas, existe um recurso de zoom dinâmico que confere profundidade aos ambientes e melhora a experiência de correr, pular e atirar. A trilha sonora também é interessante, composta por batidas eletrônicas com guitarras que ajudam a criar a tensão necessária.

As missões que envolvem o confronto direto entre Jake e Gareth são o ponto alto do game. Usar as vantagens de cada um ao mesmo tempo em que se aproveita das fraquezas do inimigo diverte e cria um clima frenético de constante perseguição. Os objetivos também oferecem bons momentos, algumas vezes contando até com quebra-cabeças desafiadores.


O lado péssimo

Hunter Hunted certamente tem suas virtudes, mas elas podem ser ofuscadas pela grande lista de defeitos. O mais gritante está na resolução do vídeo, impedindo que a janela do jogo seja maximizada sem grande perda de qualidade e queda considerável do framerate. SIM, ISSO MESMO, VOCÊ TEM QUE JOGAR EM JANELA MINIMIZADA! É extremamente frustrante, e faz com que você se sinta jogando Paciência ou Free Cell. O pior é imaginar que a causa disso é possivelmente um descuido da programação. Inadmissível para o monstro de companhia que a Sierra era nos anos 90.

Em termos de gameplay, o grande problema do jogo está na repetição exaustiva dos conceitos das missões. Depois da quarta ou quinta fase, você já está cansado de cumprir as mesmas tarefas em cenários semelhantes. A ausência de recursos de multiplayer online também desanima, sendo possível apenas jogar no mesmo PC em tela dividida (uma experiência frequentemente decepcionante).

Não posso deixar de mencionar que o design dos inimigos robóticos básicos de cada nível é, no mínimo, decepcionante. Durante vários momentos, você vai se sentir batalhando contra um esquadrão de batedeiras voadoras e aspiradores de pó mortíferos. Nada ameaçador.


Sim ou não?

A conclusão triste é a de que Hunter Hunted foi uma bela ideia inicial arruinada por problemas e decisões erradas na produção. As intenções da Sierra de diferenciá-lo do resto dos seus jogos são louváveis, mas não se concretizam integralmente.

Salvo em poucos momentos onde você pode realmente se sentir no meio da tensão e calor da perseguição desenfreada, verdadeira sessão de caça entre Jake e Gareth Den, o game é fraco e entediante. No entanto, é importante ressaltar que o produto oferece características técnicas surpreendentes, se levada em conta a época de seu lançamento. Indico apenas para os fãs incondicionais do gênero de tiro em plataformas.