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Game de Ponta: Coletânea Indie

Essa semana o Game de Ponta vai deixar os grandes jogos AAA um pouco de lado, afinal, quem precisa de Tomb Raider's e Bioshock's? Jogos Indies sempre foram uma pequena paixão minha, são experiências completamente diferentes e na maioria das vezes com um preço muito mais razoável e nos últimos anos a indústria indie cresceu muito em quantidade e qualidade. Então aqui vai uma lista rápida com alguns indies obrigatórios na coleção de qualquer gamer.

Monaco: What's Yours is Mine
Plataformas: Xbox e PC

Monaco é um jogo... peculiar. A ideia é simples, você controla um membro de um grupo de criminosos em roubos, resgates e fugas. A parte divertida é que cada personagem tem uma habilidade única: Locksmith abre portas e cofres com mais facilidade, o Scout mostra a posição dos inimigos no mapa e o Cleaner pode nocautear inimigos. Sem falar que você pode cooperativamente com mais 3 amigos, online ou no seu sofá mesmo, e acreditem, o jogo fica MUITO mais interessante quando você coordena suas ações com outros jogadores. Monaco vai fazer você abandonar muito do que você acha que sabe de "stealth", nem tente terminar uma fase inteira sem ser visto, não é esse seu objetivo, seja rápido e seja eficiente, esse é o lema.


FEZ
Plataformas: Xbox e PC

Você já imaginou como seria se você mudasse a perspectiva de Super Mario World? Ver os outros lados dos tijolinhos? Essa é basicamente a idéia de FEZ. Tenho que admitir que seu objetivo consiste basicamente em achar e juntar vários cubos espalhados pelo mundo, nada muito... revolucionário, mas poucos jogos tem uma ambientação tão boa: os cenários, a música, os efeitos sonoros, as animações de cada personagem, tudo traz um sorriso pra cara do jogador. Ainda não te convenci? Só clique aqui e veja com seus próprios olhos.


Surgeon Simulator 2013
Plataformas: PC


O que começou com um jogo criado em 48 horas virou provavelmente uma das experiências mais engraçadas que eu já tive com um jogo NA VIDA. Seu objetivo é realizar uma cirurgia. Simples não? Não, não mesmo. A graça aqui esta na falta de realismo e nos controles (propositalmente) desajeitados. Cinco teclas no teclado controlam os dedos do doutor e com o mouse você posiciona, abaixa e roda seu braço. Como o realismo não é o foco sinta-se a vontade para retirar as costelas do paciente com um martelo ou tirar o fígado fora e jogar no chão. É realmente difícil explicar quão divertido esse jogo é, e pra minha sorte você pode jogar a primeira versão do jogo de graça, é só clicar bem aqui.

The Binding of Isaac
Plataformas: PC
Isaac é uma mistura de Zelda, "joguinhos de navinha" e ... fetos. Você controla Isaac enquanto ele explora o porão da sua casa e foge da sua mãe homicida. Seus inimigos? Esqueletos, aranhas deformadas e outras criaturas grotescas. Sua arma? Lágrimas. Cada partida de Isaac é gerada randomicamente, você vai encontrar novos power-ups, novos chefes e o layout das salas será sempre diferente, essa aleatoriedade me fez gastar mais de 30 horas no jogo. Outro fator que não deixa o jogo ficar velho é que ele é absurdamente difícil, em todo o tempo que gastei com Isaac só consegui chegar no chefe final 4 vezes, faz sentido quando você lembra que o jogo veio dos mesmos criadores de Super Meat Boy, aquele jogo de plataforma insuportavelmente difícil. A equipe esta planejando um nova versão do jogo para PC, PS3 e PS Vita, toda retrabalhada com gráficos 16-bits, já estou me preparando para perder mais umas 60 horas da minha vida.

FTL: Faster Than Light
Plataformas: PC
Esse jogo me pegou de surpresa, confesso. FTL é um jogo de estratégia onde você comanda uma única nave enquanto ela navega por uma séria de galáxias geradas aleatoriamente. A melhor parte é que sua aventura não é só feita de batalhas entre naves, você pode, por exemplo, encontrar uma base espacial de pesquisas em chamas, você tenta salvar os tripulantes ou ignora e navega para o próximo setor? Um navio contrabandeando escravos alíenígenas, piratas espaciais e mais uma série de obstáculos, tudo com um sistema de escolha parecido com o de Mass Effect. Infelizmente as situações começam a se repetir depois de um tempo, nada que prejudique o jogo, afinal, ele custa meros 17 reais.

Essa semana vou parar por aqui, mas fiquem tranquilos, o universo indie é bem grande e muitas outras coletâneas dessas surgirão aqui pelo Comando Login. Tem algum jogo para recomendar? Tem boas ou más experiências com algum dos títulos da lista? Acha FEZ melhor que Call of Duty? Deixe seu comentário!

Felipe Navarro

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Full Throttle - Game Flashback



Plataforma: PC
Desenvolvedora: LucasArts Games
Ano: 1995


Aproveitando que foi anunciado recentemente o fim do estúdio LucasArts, responsável por inúmeros clássicos dos games, resolvi prestar uma homenagem a um de seus maiores sucessos, e um dos meus games favoritos de sempre.

Full Throttle é um jogo de Aventura e Ação, no estilo point-and-click, e foi idealizado por Tim Schafer (Grim Fandango, Brütal Legend). A história acontece em um futuro apocalíptico, num cenário dominado por paisagens desérticas. O protagonista é o marrento Ben, líder de uma gangue de motociclistas, os Polecats.


História



O negócio começa quando os Polecats passam por cima de uma limusine na estrada, esculachando a caranga inteira. A gangue vai então pra um bar de beira de estrada, e logo na sequência o dono da limo aparece no lugar: É Malcolm Corley, dono da Corley Motors, fábrica de motos personalizadas e que têm respeito de todas as gangues do lugar. Ao perguntar quem havia quebrado sua limusine, Ben assume a culpa e os dois começam a conversar. O velho passa a contar histórias de seus tempos áureos de motociclista. Quando Corley deixa o bar, Adrian Ripburger, que também estava no carro, chama Ben para conversar e oferece aos Polecats o emprego de guarda-costas de Corley em uma reunião anual de investidores. Ben recusa na hora. Ripburger, puto da vida, pede a seus dois capangas que deem cabo do motoqueiro. O barbudo acorda dentro de uma lata de lixo nos fundos do bar. Os Polecats, pensando que seu líder havia aceitado o emprego de guarda-costas, vão embora com Ripburger. Ben então precisa atravessar a cidade para desmascarar o vice-presidente da Corley Motors. Ao voltar pra estrada, descobre que sua moto foi sabotada e sofre um acidente. Por sorte, é resgatado pela filha bastarda de Corley, Maureen "Mo". E, finalmente, o jogo começa.

Simples e divertido



Full Throttle segue a linha dos point-and-click já consagrados da LucasArts, como Day Of The Tentacle e a franquia Monkey Island. Você joga a maioria do tempo e deve escolher os diálogos adequados, coletar objetos e resolver quebra-cabeças pra avançar na história. Para interagir com o ambiente, o game conta com o menu de ações bastante característico do gênero:

Pegar/Usar, Olhar, Falar e Chutar

Retomando a história, após ser resgatado pela mecânica Mo, você precisa ajudar Ben a encontrar novas peças para que ela conserte sua moto. Feito isso, Ben deve seguir até a Corley Motors pra tentar salvar os Polecats de Ripburger, mas pra isso precisa cruzar o deserto enfrentando gangues rivais, e é aí que entra a parte de ação do jogo. Cada gangue possui motos e armas próprias e, ao derrotar um inimigo, você fica com a arma dele, e deve usá-la pra vencer os outros mais facilmente. O esquema dessa parte é inspirado no clássico Road Rash, e seu objetivo é derrubar o adversário de sua moto. As armas incluem pé-de-cabra, tábua de madeira, motoserra, corrente, uma maça em forma de caveira e até fertilizante para cegar o motoqueiro rival.

Depois de muito papo, é hora de partir pra porrada!


Em 2000, a LucasArts começou a trabalhar em Full Throttle: Payback, sequência da história original, que acabou cancelada após desentendimentos entre a equipe desenvolvedora sobre o estilo do jogo. Dois anos depois, a empresa anunciou Full Throttle: Hells On Wheels, que daria maior foco à ação, fugindo do estilo de puzzles do primeiro jogo. Na E3 do ano seguinte, um demo jogável desse projeto foi apresentado, recebendo críticas pesadas, principalmente em relação aos gráficos. A nova sequência também acabou cancelada, principalmente pela falta de envolvimento de Tim Schafer.

Sim ou Não?

Full Throttle é um clássico com todas as letras. Foi um dos primeiros jogos de Windows que tive contato, e fechei ele inúmeras vezes. Além de uma história original, com os toques cômicos de Tim Schafer, os gráficos cartunescos e a trilha sonora que se encaixa perfeitamente na trama contribuem para a imersão do jogador no universo do game. Apesar de ser extremamente linear e ter uma história curta, Full Throttle vale cada minuto e deve ser apreciado como uma das melhores coisas já feitas pela agora extinta LucasArts.





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Time Commando - Game Flashback



Plataforma: PC/Playstation/Sega Saturn
Desenvolvedora: Adeline Software International
Ano: 1996


Nunca esqueço um certo dia lá nos idos de 1998, auge dos meus 7 anos de idade, quando brincando na casa de um amigo, achamos jogado numa gaveta um CD com a capa aí de cima. 

- Time Commando, que que é isso?

- Ah, é um jogo que meu pai me deu, mas nunca joguei

- Parece da hora, vamo ver como é!

Instalamos o tal do jogo e começa a bagaça. Aí é que ferrou-se tudo. Pedi o jogo emprestado pro meu amigo, e o CD ficou em casa por uns bons meses. Foi sem dúvida uma das experiências mais divertidas que tive na minha vida de gamer. Vamos entender o porque em seguida.


Time Commando é um jogo de ação em terceira pessoa, lançado em 1996 pela Activision. É talvez o melhor jogo com a temática de viagem no tempo, pouco explorada pela indústria dos games, infelizmente. A jogabilidade é naquele esquema dos primeiros Alone In The Dark: Segurando um botão você determina a "pose" do personagem, e com outro ataca. Na época era comum a maioria dos controles se resumirem basicamente ao teclado, mas se pararmos pra jogar algo assim hoje seria bem estranho. Em 2012, Time Commando foi relançado para os sistemas mais atuais, e pode ser adquirido no site www.gog.com.



Back in Time


A aventura acontece em um futuro próximo, onde os militares, com a ajuda de corporações privadas, criaram um computador capaz de simular todo tipo de combate em qualquer período da história. Porém, um hacker de uma empresa rival consegue instalar um vírus no sistema, criando um vórtex temporal que irá engolir e destruir todo o planeta caso não seja destruído. É aí que o jogador entra na pele de Stanley Opar, um membro da S.A.V.E. (Special Action for Virus Elimination ou Ação Especial de Eliminação Viral), que deverá entrar no vórtex para tentar acabar com o tal vírus. Mas para isso, Stanley deve tornar-se um mestre do combate em vários épocas, desde a pré-história até os tempos atuais.



Aí é que tá a graça. Cada nível tem uma quantidade de inimigos e armas diferentes (obviamente), o que torna o jogo extremamente diversificado e divertido. A primeira fase de Time Commando tem inimigos bem fracos e poucos desafios, servindo quase como um tutorial jogável pra pegar as manhas do jogo. Stanley vai enfrentar animais pré-históricos como Tigres-Dente-de-Sabre e homens primitivos, usando armas como pedras, lanças e um taco gigantesco. Após derrotar o chefão na forma de um Urso Gigante, o salto na história é grande, e vai parar no Império Romano. Dessa vez você já dispõe de espadas, tridentes e machados como armas. Stanley ainda passa pelo Japão Feudal, Idade Média e Era das Navegações (Conquistadores), mas a coisa vai ficar feia (e mais divertida) mesmo a partir do Velho Oeste, em que o arsenal é composto inteiramente por armas de fogo. A fase Guerras Modernas engloba a Primeira e Segunda Guerra Mundial e os conflitos mais atuais. Após passar por todos os níveis, Stanley volta ao futuro e finalmente consegue entrar na máquina para tentar derrotar o vírus.



Sim ou Não?

Time Commando tem gráficos e jogabilidade bastante datados. Lendo uma review de 1996, o que mais chamou atenção foi o quanto elogiaram os gráficos. Tudo é questão de parâmetro mesmo. Apesar disso, a grande variedade de armas e inimigos, com um pano de fundo de viagem no tempo, tornam o jogo extremamente divertido. Com tantos remakes sendo feitos hoje, tá aí uma boa ideia pra se trabalhar. Não seria nada mal jogar um Time Commando com gráficos de ponta, novos níveis e jogabilidade atualizada. Enquanto isso, o negócio é aproveitar o original, nem que seja pela pura nostalgia.

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Hunter Hunted - Game Trashback


Plataforma: PC
Desenvolvedora: Sierra
Ano: 1996


Em um futuro apocalíptico, uma raça de cruéis e sádicos alienígenas sequestra dois espécimes de guerreiros e os coloca pra batalhar até a morte, só por diversão. Atirando os combatentes em ambientes extremamente perigosos, o único intuito desses torturadores é tirar prazer da violência. Este podia ser o roteiro de um filme  de ficção científica de baixo orçamento qualquer, mas estamos falando da premissa básica de um game: Hunter Hunted, da Sierra.

O jogo foi lançado em outubro de 1996, e representava uma tentativa da Sierra de se afastar um pouco dos adventures point-and-click que alavancaram a companhia ao longo dos anos (King's Quest, Quest for Glory, Gabriel Knight, entre outros). Para Hunter Hunted, a ideia foi investir em um platformer de tiro nos moldes de Out of This World e Flashback.


Caça e caçador

O primeiro diferencial do jogo está na possibilidade de escolha de personagem. De um lado, temos o terráqueo Jake, um lutador das ruas mal-encarado e bombado, armado até os dentes. Do outro, está o monstro Gareth Den, uma espécie de misto entre alienígena e minotauro, extremamente ágil e feroz.

A decisão é muito importante e faz toda a diferença na dinâmica do jogo. Ao optar por Jake, você vai depender principalmente de armamentos e táticas de cobertura, esquivando-se e escondendo-se sempre que possível. Já Gareth Den tem grandes habilidades para corrida e pulos, atravessando os cenários com muita velocidade, além de contar com força descomunal.

Não é só a caçada entre os dois oponentes que dá o tom em Hunter Hunted. Existe uma grande variedade de missões, que vão desde o embate clássico a desafios contra o tempo, passando por fases com listas de objetivos. Ambientados em ruínas e corredores labirínticos, os níveis são repletos de criaturas robóticas prontos pra tornar sua jornada um verdadeiro inferno.

Jake está em maus lençóis enfrentando um pedaço de artilharia pesada

O lado bom


Multiplayer? Só se for com a tela dividida
O visual chega a impressionar (lembrando que é um jogo de 1996), com modelos 3D pré-renderizados, como no fantástico Killer Instinct. Apesar dos cenários bidimensionais com plataformas, existe um recurso de zoom dinâmico que confere profundidade aos ambientes e melhora a experiência de correr, pular e atirar. A trilha sonora também é interessante, composta por batidas eletrônicas com guitarras que ajudam a criar a tensão necessária.

As missões que envolvem o confronto direto entre Jake e Gareth são o ponto alto do game. Usar as vantagens de cada um ao mesmo tempo em que se aproveita das fraquezas do inimigo diverte e cria um clima frenético de constante perseguição. Os objetivos também oferecem bons momentos, algumas vezes contando até com quebra-cabeças desafiadores.


O lado péssimo

Hunter Hunted certamente tem suas virtudes, mas elas podem ser ofuscadas pela grande lista de defeitos. O mais gritante está na resolução do vídeo, impedindo que a janela do jogo seja maximizada sem grande perda de qualidade e queda considerável do framerate. SIM, ISSO MESMO, VOCÊ TEM QUE JOGAR EM JANELA MINIMIZADA! É extremamente frustrante, e faz com que você se sinta jogando Paciência ou Free Cell. O pior é imaginar que a causa disso é possivelmente um descuido da programação. Inadmissível para o monstro de companhia que a Sierra era nos anos 90.

Em termos de gameplay, o grande problema do jogo está na repetição exaustiva dos conceitos das missões. Depois da quarta ou quinta fase, você já está cansado de cumprir as mesmas tarefas em cenários semelhantes. A ausência de recursos de multiplayer online também desanima, sendo possível apenas jogar no mesmo PC em tela dividida (uma experiência frequentemente decepcionante).

Não posso deixar de mencionar que o design dos inimigos robóticos básicos de cada nível é, no mínimo, decepcionante. Durante vários momentos, você vai se sentir batalhando contra um esquadrão de batedeiras voadoras e aspiradores de pó mortíferos. Nada ameaçador.


Sim ou não?

A conclusão triste é a de que Hunter Hunted foi uma bela ideia inicial arruinada por problemas e decisões erradas na produção. As intenções da Sierra de diferenciá-lo do resto dos seus jogos são louváveis, mas não se concretizam integralmente.

Salvo em poucos momentos onde você pode realmente se sentir no meio da tensão e calor da perseguição desenfreada, verdadeira sessão de caça entre Jake e Gareth Den, o game é fraco e entediante. No entanto, é importante ressaltar que o produto oferece características técnicas surpreendentes, se levada em conta a época de seu lançamento. Indico apenas para os fãs incondicionais do gênero de tiro em plataformas.


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Excalibur 2555 A.D. - Game Trashback



O contexto do mercado de games em 1996 e 97 orbitava, em grande parte, ao redor do sucesso de um título estrondoso que redefiniu conceitos e gerou tendências: Tomb Raider. Lançando os jogadores no papel da arqueóloga aventureira gostosa Lara Croft, o jogo da Eidos Interactive fazia uso inteligente da perspectiva em terceira pessoa e de cenários tridimensionais, inspirando uma leva de produtos que o seguiram. Entre tantos influenciados, existem os que utilizaram as ideias como suporte para evoluir o gênero e os que simplesmente repetiram a fórmula sem muitas alterações (alguns sendo clones descarados). É mais perto da segunda parcela que encontramos o Trashback de hoje, Excalibur 2555 A.D.

O game é de 1997 e foi produzido pela Telstar Studios para Playstation 1 e PC. Como em Tomb Raider, o personagem é controlado por meio de uma visão em terceira pessoa, que possibilita grande interação com os arredores, além de grande diversidade de posições de câmera por vezes angustiantes como em  Resident Evil. As verdadeiras diferenças entre Tomb Raider e Excalibur estão na qualidade geral e no cuidado com os detalhes.


Viagem temporal na maionese


Beth faria qualquer coisa por Excalibur, inclusive negociar com bandidos
A trama do jogo vai longe e consegue combinar ficção científica pós-apocalíptica com a lenda britânica do Rei Arthur, uma mistura complexa e um tanto difícil de digerir. Em resumo, a história começa no ano de 2555, num futuro ameaçador e desolado. A superfície da Terra está inabitável, forçando os habitantes a rumar para enormes metrópoles subterrâneas. Pra completar, o mundo é tomado por uma constante e impiedosa batalha entre facções.  Um fanático líder espiritual e mago (e você achando que ia se livrar de referências fantásticas), Delevar, coloca em ação um plano infalível de dominação mundial. Utilizando uma máquina de viagem no tempo, volta ao século V e rouba a espada Excalibur do Rei Arthur (é, a coisa é feia).

Preocupado com o roubo e com o consequente colapso da paz no reino, o famoso mago Merlin decide contra-atacar enviando sua sobrinha, a pobre coitada Beth, ao futuro com a missão de recuperar a espada mística. É no meio dessa salada toda que o jogador aterrisa, assumindo o controle da sobrinha do mago em sua aventura no futuro distópico, enfrentando monstros, marginais e robôs.

Croft e Beth

Pode-se dizer que Lara Croft tornou famoso um modelo de personagem carismático e que rouba a cena em todos os momentos do jogo. Tudo girava em torno de suas habilidades e possibilidades no cenário. Em Excalibur, a tentativa foi de fazer algo parecidocom Beth. Digo tentativa pois Beth é um apanhado de pixels destoantes em formato de guerreira. É óbvio que as limitações da computação gráfica também contribuem, mas basta comparar Croft com Beth para ter uma noção das disparidades no cuidado com o design.


Lara Croft e Beth: disputa acirrada em termos de estética desagradável

Quanto à mecânica, Excalibur 2555 A.D. prioriza um sistema de exploração e coleta de itens que permite a progressão no jogo. Quase tudo funciona com trocas de materiais ou favores e você acaba percorrendo os 11 níveis do jogo pra arranjar algo pra trocar com alguém. Nem preciso dizer que, com o tempo, o processo torna-se exaustivo e maçante.

Vale a pena?

A lista de inconsistências técnicas e de design de Excalibur 2555 A.D. é extensa. Exemplos não faltam:

  • o jogo não possibilita salvamento, apoiando-se num atrasado recurso de passwords que faz o jogador recomeçar sem nenhum item que tinha guardado;
  • o sistema de combate é lento e a resposta ao joystick/teclado é ineficiente, muitas vezes frustrando as tentativas de ataque e fazendo você levar dano do inimigo enquanto tenta levantar sua espada;
  • a ambientação é confusa e a trama se perde já no começo. Você acaba se acostumando com a ideia de procurar e trocar itens para progredir e matar o vilão, sem grande profundidade ou envolvimento com a história;
  • bugs povoam todos os cenários, com direito a inimigos imortais que resistem a todos os golpes e forçam o jogador a sair correndo.

Jogar Excalibur 2555 A.D. de cabo a rabo pode mostrar-se um desafio à paciência e disposição de qualquer gamer bem-intencionado. Porém, seria injusto ignorar as (poucas) virtudes do jogo. Apesar de tentar aproveitar-se do sucesso de Tomb Raider, Excalibur pode agradar os fãs de ação em terceira-pessoa e interessar àqueles que gostariam de entender melhor a evolução do gênero, partindo de suas origens.

Entre seus atributos positivos, destaco um sistema de mapas muito funcional e boas dublagens dos personagens, algo raro em jogos até os dias de hoje.


Em linhas gerais, Excalibur 2555 A.D. é um produto instável e que oferece entretenimento relativo, por vezes frustrando mais do que divertindo.


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Detona Ralph: o jogo - Minigame


Nome: Fix-it Felix Jr.
Plataformas: PC, iOS.
Preço:  0800, vulgo gratuito, para ambos os meios
Recomendado para: Quem assistiu ao filme Detona Ralph
Resumo: O jogo proposto no filme que todos perguntaram se existia


Esqueça o vilão que quer ser mocinho e foge do seu jogo para conseguir uma medalha. Então, esse não é mais um adventure sobre um novo filme. É exatamente o jogo do qual Detona Ralph trata.


Para quem ainda não viu e merece a morte, (post sobre o filme aqui) o jogo é um plataformer basicão em estilo 8-bits que traz uma nostalgia do arcade. Você controla Fix-it Félix Jr, uma espécie de pedreiro com um martelo mágico que conserta tudo. O objetivo do game é simples, o grande vilão, Wreckt-it Ralph, está destruindo um prédio e, cabe a você, defensor dos fracos moradores desse local, arrumar o prédio antes que ele caia. Aliás, esse "antes que ele caia" é relativo, pois existem duas versões do game: uma com tempo para passar uma fase e outra sem tempo.  

Enfim, esse jogo é o idêntico ao que a galera jogava no Detona Ralph, com direito a queda do prédio e tudo. É um minigame viciante, mas sem muita continuidade, com apenas 10 fases. Entretanto, querido gamer, não é assim tão fácil fechar o jogo. Enquanto você tenta de todo modo restaurar as janelas, o furioso Ralph tenta jogar tijolos em sua cabeça. E tem mais, em uma bela homenagem, um pato, ao estilo Duck Hunt passa na horizontal. Ou seja, pedra por cima, pato pelos lados e alguns outros obstáculos, deixam tudo mais difícil. 


Curiosidade

Para quem não sabe, o game foi criado para o filme de forma fictícia, baseado no game em que Donkey Kong era o vilão contra Mario, aquele famoso e velho arcade. O vilão Ralph tem braços longos em uma estética primata não à toa e Félix lembra na hora um certo bigodudo da Nintendo. 


Bônus - Truque

Vamos ao primeiro truque do quadro Minigame. Yeah!!! Uma manha bobinha que deixam o game mais legal e coloca o jogo em um nível mais difícil. Quando você termina uma fase, Ralph sobe um pouco mais no prédio para o próximo level. Nesse momento entre fases, pause o jogo. Ele só pausará quando começar a próxima fase. Isso fará com que  todas as janelas pareçam já concertadas, na verdade, elas elas só estão escondidas.



Para jogar

Se você quiser jogar pelo IOS, basta procurar no iTunes por Fix-it Félix (não me vai procurar por detona Ralph). Para jogar pelo PC, clique aqui.



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Os 10 jogos mais difíceis das nossas vidas

Sabe aquele jogo que fazia você ter vontade de atirar o videogame na parede, morder o controle e estraçalhar a fita com uma marreta? Aqueeeeele jogo que exigia que você fosse uma espécie de Chuck Norris super sayajin do inferno pra conseguir terminar só com duas vidas, ou sem cair em buracos enormes, ou matando caras muito maiores que você sem nem poder encostar neles? Pois é! Eles estão meio raros hoje em dia, mas nós separamos uma listinha de top 10 pra relembrar essas pérolas de fúria gamer.



Tentei listar os jogos mais difíceis da história, dando destaque para alguns deles e citando outros que merecem espaço também (pode falar se eu tiver esquecido o seu favorito [: ) Só não me peça para os colocar em ordem, isso é sacanagem. Muita gente arrebentava em um jogo e não passava da segunda fase do outro. É a vida, né? Você vai notar que a maioria deles é velho, especialmente de fliperama ou Nintendinho (já que nessa época era o que tinha pra jogar), mas vamos parar de enrolação. Aos jogos!



X-men (Mega Drive, 1993)

Esse era um beat 'em up misturado com plataforma daqueles que a gente adorava quando era pequeno. Então era só escolher seu mutante favorito e ir pro pau, certo? ERRADO. Primeiro apenas Wolverine, Ciclope, Noturno e Gambit eram selecionáveis como personagem primário (tinha como chamar outros pra dar uma mãozinha durante as fases, mas nada além disso). Imagine inimigos posicionados de um jeito injusto, chefes difíceis, pulos extremamente chatos complicados... mas a parte mais legal ainda está por vir. Esse jogo tinha a maior sacanagem que eu já vi no mundo dos videogames. Quando você chegasse à quinta fase e derrotasse o chefe, chegaria até um local onde tinha um computador e te diziam "reset the computer", e você precisava fazer isso antes que tudo acabasse (você perderia se o tempo acabasse, claro). O problema é que não tinha nenhuma alavanca, o computador não era quebrável e não tinha onde interagir. Não tinha o que fazer mesmo, porque o que o jogo estava dizendo era pra você literalmente resetar o videogame. Exato, era preciso resetar o videogame pra passar de fase. A merda é que se você apertasse o botão reset por muito tempo ou com muita força, o jogo realmente resetava e aí, meu amigo, era começar láááááá do início. Bem legaus, né? Esse vídeo aqui dá uma deia do game e mostra a fase chata pra cacete, o chefe e o local onde precisava resetar. 




Contra (Arcade, NES 1987)

Como quase todo bom jogo de fliperama, Contra tinha um nível de dificuldade mais alto para realmente desafiar os jogadores e roubar todas as suas fichas. Ter o seu nominho anotado na tela era motivo de orgulho, porque poucos eram capazes de zerar um jogo sem morrer na pobreza. No caso de Contra não era muito diferente. Esse é um game tipo shoot 'em up, um plataformão bem simples mesmo, com tiros vindo de todos os lados ao longo das 10 fases, com chefes chatos e muita injustiça. Sem save point, sem password, sem checkpoint e sem choradeira. O jogo mais realista que já vi: tomou um tiro, morreu, camarada. E ainda por cima, quando morre, você perde qualquer upgrade ou arma melhorzinha que tenha conseguido pegar. A parte boa é que tem munição infinita (pelo menos isso, né?). Fora as fases apinhadas de inimigos, ainda tinha a parte em que você entrava em umas bases e tinha que andar por vários corredores meio labirínticos (com tempo, obviamente) até chegar ao coração delas, e isso era numa tentativa de 3D que ficou bem esquisitinho, mas quem ligava, né? A versão de NES era diferente e tinha uma coisinha que podia ajudar. Um dos primeiros cheat codes dos videogames, o famigerado Konami Code. Aqui, se executada corretamente, essa pequena trapaça te dava umas 30 vidas pra você tentar terminar o jogo. Tentar. A franquia teve várias sequências, todas com nível de dificuldade mais elevado, mas anda sumida há um tempão.




Castlevania (NES, 1987)

Um clássico daqueles que sobreviveram ao mundo da tecnologia. Castlevania se tornou uma franquia muito querida e com vários games lançados, mas vou me ater a esse, o primeirão. Arcade de controles simples, é basicamente usar o chicote e arma secundária à sua escolha pra derrotar os bichinhos e chefes. Parece simples, certo? Imagine agora que os corações não recuperam a sua vida (são tiros pra arma secundária...), que os inimigos são colocados em lugares malditos, prontos pra te jogar na água ou no buraco, e quase sempre são mais rápidos que você, e que só sendo vidente pra adivinhar as pedras secretas que escondiam itens. Além de tudo, esse jogo tem um dos bichinhos mais filhos da puta, desgraçados, ah, como eu odiava esses caras malditos de todos os tempos: as cabeças voadoras de medusa. Essas faziam qualquer monge budista chutar o videogame. Fora isso, a dificuldade de sempre de saber quando correr e quando matar os bichinhos, conseguir pular sem cair nos buracos e matar os chefes difíceis sem ficar morrendo. Morrer era luxo nessa época... Era um jogo limitado, mas muito frustrante divertido. O cover do jogo também é legalzinho pra época diferente de Contra. Você pode ver um gameplay aqui e jogar online aqui, se quiser tentar sem compromisso. Vai ver onde tudo começou e perceber que aquela nova versão de Xbox360 e Play3 é bem tranquila perto da fragilidade dos personagens antigos que não tinham save point.






Ikaruga (Arcade, Dreamcast, Gamecube, XboxLiveArcade, 2001)



Não podia faltar um representante dos grandes jogos de navinha, certo? Eram muitas as opções, já que esse tipo de jogo é naturalmente apelão, mas resolvi colocar Ikaruga pra mostrar que nem só de velharia vive o ódio nos videogames (sim, existem mais difíceis que esse, nos quais não é permitido tomar tiros nunca). A dinâmica do jogo é a seguinte: existem duas polaridades de tiro e você só é afetado se tomar tiros da polaridade (a corzinha, cara) diferente do seu escudo. Claro que dá pra mudar essa polaridade de escudo e tiros de acordo com a sua necessidade ao longo da fase. Atirar com a polaridade oposta do inimigo tira o dobro de energia dele e se atirarem em você com a mesma polaridade do escudo que você está usando, esses tiros carregam o poder especial. Ou seja, é uma escolha constante entre se defender e atacar. Complicado e bastante epiléptico. Sabendo desse pequeno pulo do gato, dá pra jogar bem. Só que não. Algumas fases são uma confusão tão grande que você não sabe se atira, se troca de escudo ou se desiste e baba diante de tantas faíscas coloridas bonitas... 





Punch-Out!! (NES, 1987)

(Engraçado como 87 teve jogo sugador, né?) 
Esportes! Esse foi relançado para Wii em 2007 e para DS em 2012. Talvez o mais difícil e o mais legal jogo de luta no estilo. Punch-Out coloca você como o garoto Little Mac (sim, é uma alusão ao lanche Big Mac), um pugilista baixinho (tática encontrada pela Nintendo para que fosse mais fácil ver o adversário sem sobrecarregar a capacidade limitadíssima do pobre nintendinho) que quer fazer carreira e ser um grande campeão. Ao longo do game, você passa por vários campeonatos, lutando contra pugilistas fictícios e, se vencer, claro, realiza o sonho do menino. O jogo por si só já não é dos mais fáceis, já que sempre o adversário é mais forte que você. Precisa sobrar técnica, observação e paciência para aprender os padrões e fraquezas de cada lutador (Bald Bull, por exemplo, dava uns pulinhos seguidos de um super soco que derrubava de cara, mas era fraco na barriga, se você pegasse o tempo e desse o soco na barriga dele antes de ele te acertar com esses pulinhos, era ele que beijava a lona). A jogabilidade combina com
o personagem, Mac só pode dar jabs (entenda vendo os golpes do boxe aqui) de direita e esquerda, se esquivar ou tentar defender, mas não pode bater pra sempre (precisa ter coraçõezinhos pra isso, que só ganha de volta escapando de golpes). Se você for bem, até pode conseguir estrelinhas, que servem pra dar uma espécie de cruzado mais forte (Little Mac até pula pra dar esse soco...) no adversário. É foda. A maioria dos adversários tem golpes apelões que exigem atenção. Aliás, por falar em apelão,  adivinhem quem é o último chefe...





Ele mesmo, Mike Tyson, o grande nome dos pesos pesados, talvez o maior da geração dessa época de Punch-Out!! (no mínimo o mais conhecido, né?). Derrotar o tio Mike era uma coisa absurdamente complicada porque um único soco desse vagabundo podia te mandar pro espaço. Pra ajudar, você podia prestar atenção nas piscadinhas dele, mas era tudo muito rápido. Imagine não poder errar a esquivada de um único soco. Dureza viu?


Sim, o juiz é o Mario.


F-Zero GX (Game Cube, 2003)

Esse é um jogo de corrida futurista em alta velocidade com um grau de dificuldade daqueles que faz escorrer uma lágrima solitária de rancor. É o quinto da série F-Zero, com 20 pistas de corrida cheias de curvas injustas e retas engana-trouxa (você vai no talo da velocidade pra acabar caindo no buraco e se ferrando grandão), 30 personagens e um story mode bem desafiador. Esse malditinho exigia um reflexo e uma agilidade grandes pra terminar as corridas bem colocado. Memorizar os padrões das pistas podia ajudar também, mas mesmo decorando tudo, não dá pra se dar bem com certeza, porque esse jogo impõe uma familiarização e uma dedicação para ser realmente dominado. É bem difícil de controlar, acredite. E não é qualquer joguinho, foi considerado o melhor jogo de corrida do Gamecube, recebeu um monte de prêmios e é muito bem avaliado na maioria dos sites de referência em games. Sem contar que ficou super bonito nessa versão, daquele jeito também epiléptico coloridão que confunde absurdamente o jogador, que já está sofrendo para manter o carrinho reto na pista. É genial. O vídeo ai embaixo dá a impressão de que o cara é ruim, mas não é exatamente culpa dele, coitado.







Prince of Persia (NES, PC, Mac, SNES, Mega Drive)

O pessoal mais novo pode ter perdido a dimensão do quanto Prince of Persia pode ser um cu de jogo. O primeirão veio em 1989 pra Apple II, e os que vieram depois para essa cambada de console listado aí em cima seguiram basicamente a mesma lógica. Pra começar, o jogo tem tempo, mas não a cada stage como se tornou popular para nós que gostamos de videogame. Você tem uma hora pra terminar tudo! A versão de Super Nintendo tinha 20 fases (VINTE!) e essa porcaria é extremamente labiríntica, dá o que fazer pra descobrir o caminho certo. Tem aqueles chãozinhos que desabam, pulos difíceis com espinhos mortais esperando lá embaixo, portas que se fecham na sua cara e homenzinhos/esqueletinhos que querem te matar na espadada. Aliás, a jogabilidade é de dar até coceira. O rapazinho que você controla fica lerdo com a espada desembainhada e é bem ruim de luta, mas isso é o de menos. Controlar a velocidade dele para não cair em lugares errados ou pular tarde demais sempre foi um desafio. Aliás, passar aquelas fases de calabouços e ruínas, presente em todas essas versões antigas, sempre foi um grande e obscuro cu. Eu, particularmente, perdia a paciência logo na segunda fase com a falta de coordenação motora do personagem principal nameless desse jogo. Se você quiser ver qualé, dá uma olhada nesse vídeo aqui.

Jogo, não é legal ser chato...

Dark Souls (PS3, Xbox360, PC, 2011)

Mais um da nova safra, alías, nóvíssima safra, antes que vocês me acusem de bairrismo extremista flashbackiano. Dark Souls definitivamente é um inferno. O jogo é lindo, tooooodo pimpão com seus gráficos poderosos da geração de ponta dos consoles mais badalados e PCs caríssimos gamer. Quem ainda não jogou e curte um tipo RPG medieval com mundo aberto (evolução de personagens, armaduras, aquelas coisas que a gente adora), tem que correr atrás desse pra jogar. Por quê? Porque esse é um dos jogos mais sensacionais e desafiadores da nova geração. Antes de qualquer coisa, é um game de sobrevivência: qualquer inimigo bostinha é capaz de te matar(e o jogo dá penalidades malvadas pra quem morre. tipo ficar feio com cara de zumbi). É sério. Imagine agora que esses inimigos são posicionados de maneira cruel com o jogador, que têm uma inteligência artificial quase mágica para ataques em grupo e sempre voltam à vida quando o jogador descansa em pontos  estratégicos (umas fogueiras que salvam o jogo, mas apagam se usadas demais) para se recuperar. Itens são raros, principalmente os bons (como as "humanidades", que tornam o jogador literalmente humano depois de morrer e ressuscitar. Coisa necessária em vários momentos do game e que ajuda a encontrar mais itens bons, mas quem disse que é fácil conseguir essa merda esse negócio?). Não bastasse tudo isso, os chefes são apelões, muito apelões, exigindo às vezes que você seja um covardão e fique por horas rodeando os adversários e matando bem de longe, na flechinha. (Vale lembrar que Demons Souls, que veio antes desse, também é uma bosta de difícil)


Esqueletinhos não são os personagens mais cu desse tipo de jogo?
Aqui tem um vídeo de gameplay, mas pule direto pra dois minutos e corte a lenga lenga. Dá pra ver essa coisa de humanidade na fogueirinha e um pouco da pancadaria  necessariamente covarde que o jogo permite.


Ghosts and Goblins (Arcade, NES 1985) 

Esse aqui se transformou em franquia (e mudou de nome pra Ghouls and Ghosts), uma das franquias mais filhas da puta malditas do inferno difíceis de todos os tempos. É um 2D de aventura que já tem um nível de dificuldade elevado considerando os inimigos (zumbis, esqueletos, bruxas, morte, coisas macabras nesse estilo), que sempre aparecem do nada, e os chefes, que são bem chatinhos. A movimentação só complica, já que não existe a possibilidade de mudar de direção ou se mexer depois que você pula (a não ser pra atirar. Nas versões mais evoluidinhas do game, pra 16bits, dava pra dar um segundo pulinho salvador). Existem várias armas, cada uma com sua característica de tiro, e Arthur, nosso cavaleiro (que não tem nada a ver com o da távola redonda), não aguenta quase nada de pancada. Na realidade, ao ter qualquer contato com um dos bichinhos na tela, a armadura dele já quebra (e ele fica de cuecas!) e qualquer segundo toque já mata o coitado do cara. Dava pra conseguir armaduras mais legais e com poderes especiais, mas era extremamente difícil de achar (e elas se quebravam com a mesma única pancada, apesar de ajudarem no poder de ataque). Não bastasse a todas as injustiças do jogo, a maldade maior só era descoberta no final. Sabe aquela tela clássica do Toad falando  pra você que a princesa não está naquele castelo? Então, é o mesmo. Quando você tiver derrotado o último chefe (que só dava pra matar se você tivesse usando a cruz como arma) depois da suadeira enorme que era isso tudo, o jogo te avisa que não valeu e você vai ter que começar tudo de novo em uma dificuldade maior ainda para conseguir salvar a princesa. Aí, colega, "vai o cão arrependido com suas orelhas tão fartas, com seu osso roído e com o rabo entre as patas" (CHAVES, 1973) pra Stage 1. Dava vontade de jogar uma bigorna da Acme na máquina do fliperama.

Bela cueca, Sir Arthur!

Esse vídeo compara as versões do jogo, é bem legal pra ter uma ideia das mudanças e do jeitão do game.



Battletoads (NES, 1991)

Possivelmente o jogo mais desestimulante do universo, tamanha sua dificuldade. Qualquer ser humano que tenha jogado isso na vida provavelmente diz que é o pior de todos. Mas Battletoads era sensacional, ainda que completamente desumano e virou franquia (cheia de jogos difíceis...). Imagine um jogo tipo side scrolling + beat 'em up, que aproveita ao máximo a capacidade do seu videogame (que era bom nessa época, ok?!), no qual você é uma espécie de sapo alien humanóide. Parece bom? Esse sapo doido do espaço tem seus membros (pernas e braços, não seja maldoso!) imensamente aumentados quando dão porradas especiais (geralmente a pancada final é dessas gigantes). É DEMAIS. Você vai, todo serelepe, jogar essa coisa fofa. A primeira fase vai suave, talvez com algumas mortes bobas, os carinhas apelam, fazem rodinha, mas vai sem grandes percalços. A segunda já fede um pouco, dá raiva, mas você é esperto e passa. Aí chega a terceira fase, e... Game Over. Por quê? Bom, a terceira fase não é única no jogo que acontece em cima de um veículo em alta velocidade que precisa escapar de trilhões de obstáculos mortais já no primeiro toque; maaaaaaaaaaaas é a primeira assim, e provavelmente a última do jogo que muitas pessoas chegaram a conhecer (dentre as 13 que ele tinha). Se você sofria com essa e já desistiu há anos de passar isso na habilidade, deixe-me ser seu grande amor pro resto da vida: existe um cheat. Ele só pode ser usado na tela inicial ou na de Game Over (bom, né?), mas te dá cinco vidas novinhas em folha pra você tentar passar dessas fases malas. Tente apertar Pra Baixo + A + B enquanto aperta Start nessas telas. É mágico. Pra quem não conhece, pus um gameplay aí embaixo. Have fun!







Menções Honrosas


Alguns outros títulos que ficaram de fora dessa lista (nada pessoal, eu juro) merecem ser citados como a série Ninja Gaiden (vários consoles, série longa e majoritariamente difícil) Jet Set Willie (PC, 1984, arcaico e extremamente desagradável), Toki (1989, Arcade, NES, Mega Drive... nada como ser um macaco lerdo que morre com qualquer coisa, né? ), Street Fighter I (que começou em 1987, no Arcade, e foi pra todos os consoles imagináveis depois, o primeiro jogo dessa série é simplesmente um saco. Foi muito inovador e o embrião do verdadeiro SF, mas tente matar o Sagat aqui...), Shinobi (jogo divertido, mas trabalhoso, lançado em 2002 para Playstation 2), Darius Gaiden e Radiant Silvergun (os dois de navinha para Sega Saturno, dois cus) e Jurassic Park (SNES... esse é pessoal, era um inferno na terra porque ficava tudo longe, portas trancadas, poucas indicações do caminho a seguir, dinossauros malditos e, eventualmente, aquela esquema 3D muito mal feito no estilo Doom). Tentei fazer o melhor, mas vou adorar que você me xingue e diga o que não podia ter faltado aqui, tá? Feel free :]





Bonus Stage!

Kaizo Mario (SNES)




Kaizo Mario é um jogo que, apesar de ser ridículo de tão difícil, não tem o direito de entrar nessa lista por ser um hack de Super Mario World, mas também merece ser mencionado. Esse jogo é absurdo, feito para que apenas uma movimentação perfeita  permita que você avance nas fases. Por mais ridículo que pareça, em Kaizo Mario às vezes é melhor fugir de cogumelos e ficar pequeno mesmo. Não tem muito como explicar, dê uma olhada no vídeo aí embaixo e se apavore.



Quem quiser jogar isso, pode dar uma olhada no fim desse post aqui.



Retro Game Challenge (DS)

Esse aqui é uma pérola pros dias de hoje, uma verdadeira homenagem. Lançado em 2007 no Japão (2009 nos EUA), é um jogo diferente. Nele, um apresentador japonês famoso de um programa de games que não gostava muito dos jogos novos, inexplicavelmente se transporta pra rede da Nintendo e passa a escolher (e aterrorizar) jogadores para desafiar com jogos antigos, de Nintendinho. Ele sequestra o jogador para dentro do mundo do DS, especificamente para a sua época de criança gamer (1984) e só permite que o jogador desafiado volte a seu mundo se ele cumprir os desafios. Os jogos presentes aqui são fictícios (aaahhh =/), mas com estética, som e jeito de jogo do NES. Alguns deles tem relação direta com jogos clássicos mesmo, e outros fazem algumas referências (o japonês maluco me lembrou muito o Andross de Star Fox quando vira uma cabeça digital bizarra...). Tem um vídeo aqui se você ficou curioso pra ver isso tudo. Fica a dica pra quem tem DS e topa um desafio à moda antiga. 




O jogo (que se autointitula) mais difícil do mundo




Não tem muito o que explicar nesse caso. A imagem ajuda a entender, é basicamente levar o quadrado vermelho pelo trajeto sem encostar nas bolinhas azuis (que se mexem bem rápido), pegando todas as bolinhas amarelas. Tem até check point ali, nas áreas verdes. Parece fácil? Jogue aqui e passe raiva, então.